O delegado-adjunto da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Alexandre Neto, que sofreu um atentado no último domingo, em Copacabana, teve alta nesta sexta-feira do hospital Quinta D'Or, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.
Neto passou por uma cirurgia reparadora na terça-feira e perdeu um dos dedos da mão direita. Ele teve o dedo indicador transplantado para a posição do dedo médio, que estava muito ferido e foi amputado.
Com os dois dedos da mão direita gravemente feridos, o delegado precisou do transplante, porque o osso que segura o dedo indicador à mão, o metacarpo, sofreu fratura, enquanto o dedo médio teve grande perda óssea, mas tinha o metacarpo preservado.
No atentado, que está sob investigação da Delegacia de Homicídios e da Polícia Federal, o delegado foi atingido ainda no tórax e no braço direito.
O titular da Delegacia de Homicídios (DH), delegado Roberto Cardoso, pretende fazer uma simulação do atentado que o delegado Alexandre Neto sofreu no último domingo, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Com isso, Cardoso acredita reunir provas mais consistentes das condições em que foram feitos os disparos. Seis pessoas foram ouvidas na DH na última quinta-feira, além de um tenente-coronel e um tenente da Polícia Militar.
O delegado afirmou que está melhorando a qualidade de algumas imagens obtidas no local. Em uma delas, aparece uma mulher correndo, supostamente depois de ter presenciado o atentado, que já foi identificada e será chamada para prestar depoimento. Veículos que aparecem nos registros dos circuitos de vídeos também serão identificados para tentar localizar o carro usado pelos criminosos.
Roberto Cardoso ainda pretende chamar para depor outros policiais militares do batalhão de Copacabana que se envolveram numa discussão com Alexandre Neto, ano passado, depois que o delegado foi repreendido por ter estacionado em local proibido.
Alexandre Netto foi baleado em frente de casa, na Rua Constante Ramos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. A polícia investiga todas as hipóteses para a tentativa de homicídio. Alexandre é autor de um dossiê sobre atividades ilegais de um grupo de policiais do Rio ligados ao ex-chefe de polícia Álvaro Lins e à máfia dos caça-níqueis. O dossiê foi entregue à Polícia Federal em outubro do ano passado.
Segundo a PM, Alexandre estacionou um carro branco em frente ao seu prédio, acompanhado de um amigo. Os dois desceram do veículo e entraram no edifício. Segundos depois, Alexandre retornou ao carro e foi alvejado por vários tiros disparados de um outro veículo. Somente no pára-brisa foram encontradas oito marcas de tiro.
O amigo socorreu o delegado e o levou para o Hospital particular Copa D'Or, em Copacabana. Por causa de uma fratura na mão, ele foi transferido para o hospital da mesma rede, em São Cristóvão, onde passou por uma cirurgia.