O senador Delcídio Amaral (MS), presidente da CPI dos Correios e líder do PT na Casa, pode entregar a liderança da legenda caso continue sendo alvo do chamado "fogo amigo" do partido, afirmaram à Reuters fontes do Senado próximas a ele.
Na sexta-feira, Delcídio cobrou a demissão do diretor de gás e energia da Petrobras, Hildo Sauer, após divulgação de reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo, segundo a qual o senador, ocupante da mesma diretoria no governo Fernando Henrique Cardoso, havia provocado um rombo de pelo menos 2 bilhões de reais.
Delcídio disse que Sauer, indicado pelo PT à diretoria na atual gestão, havia "plantado" essa informação na imprensa para prejudicá-lo.
Irritado, ele foi à tribuna do Senado na sexta-feira reclamar do "fogo amigo" do PT. O presidente da estatal, José Eduardo Dutra, descartou a demissão do diretor.
Como resposta, Delcídio pode entregar a liderança do partido no Senado e se dedicar somente à CPI dos Correios. O senador ainda não confirma essa disposição, mas pessoas ligadas a ele argumentam que essa é uma carta na manga caso não tenha retaguarda do governo.
Ele aceitou a missão de presidir a CPI após um pedido feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sabendo do risco de ser prejudicado nas eleições para o governo de seu estado no próximo ano devido ao grau de exposição por presidir uma comissão polêmica.
"Todo presidente de CPI é, naturalmente, alvo. Então, procuro entender essas questões dessa maneira," afirmou.
Após a reclamação que fez da tribuna, Delcídio recebeu telefonema de Lula e combinou discutir o assunto com Dilma Rousseff, nomeada na noite desta segunda-feira para a Casa Civil. Até lá, prefere não fazer nenhuma avaliação sobre o caso.