A Polícia Federal e o Ministério Público devem oferecer o benefício da delação premiada ao empresário Zuleido Soares Veras, dono da construtora Gautama, supostamente envolvida na rede de corrupção investigada pela Operação Navalha. Com isso, ele deve ter a pena reduzida em troca de informações que ajudem a desvendar como funcionava o esquema de fraude em licitações.
Segundo a PF, o dono Gautama teria comandado a fraude com a ajuda de seis funcionários, um empresário e vários servidores, entre eles, o ministro de Minas e Energia Silas Rondeau.
Rondeau teria recebido R$ 100 mil de propina em troca do favorecimento dado a construtora Gautama em uma licitação. A fraude teria ocorrido no programa Luz para Todos, que leva energia para zonas rurais. O ministro nega envolvimento no esquema.
Nesta segunda-feira, a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), começa a ouvir os presos na operação, deflagrada na última quinta-feira. Serão ouvidos o conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe, Flávio Conceição Neto, o secretário de Infra-Estrutura do Maranhão, Ney Barros Belo, o servidor público Geraldo Magela, o ex deputado federal José Ivan Paixão, e João Alves Neto, filho do ex-governador de Sergipe, João Alves.
Mais de 40 pessoas foram presas, suspeitas de participarem de um esquema de desvio de recursos de obras públicas, em oito Estados e no Distrito Federal.
O ministro do Supremo Gilmar Mendes deve julgar ainda nesta segunda 20 pedidos de liberdade, entre habeas corpus e extensão de habeas corpus em liminar. Na noite deste domingo, ele concedeu habeas corpus ao ex-governador do Maranhão José Reinaldo Carneiro Tavares e ao presidente afastado do Banco de Brasília (BRB), Roberto Figueiredo Guimarães, que atuou como consultor financeiro do Maranhão.
Tiveram os pedidos negados Alexandre Maia Lago e Francisco de Paulo Lima Junior, sobrinhos do governador do Maranhão, Jackson Lago. O ministro Gilmar Mendes negou também o pedido de habeas corpus do ex-secretário municipal de Sinop (MT), Jair Pessine, e do assessor do Ministério de Minas e Energia, Sérgio Luiz Pompeu Sá.