A posição sustentada por Palocci, de evitar a delação premiada, segundo disse à reportagem do Correio do Brasil uma fonte próxima ao ex-ministro, na condição de anonimato, “foi vencida pelo depoimento do marqueteiro João Santana”
Por Redação - de Curitiba e São Paulo
Pressionado pela família para aceitar os termos da Justiça para uma delação premiada, o ex-ministro petista Antonio Palocci teria concordado, nesta quarta-feira, em assinar um novo depoimento. Na confissão dos crimes que cometeu, no entanto, as revelações dos executivos da Construtora Norberto Odebrecht seriam apenas um aperitivo. A atuação dos grandes conglomerados financeiros do país, no esquema de geração e distribuição de propinas aos partidos brasileiros, é o principal alvo do ministro da Fazenda e da Casa Civil nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
A posição sustentada por Palocci, de não seguir para a delação premiada, segundo disse à reportagem do Correio do Brasil uma fonte próxima ao ex-ministro, na condição de anonimato, “foi vencida pelo depoimento do marqueteiro João Santana”. Condenado a oito anos de prisão, Santana concordou em fazer uma delação capaz de livrá-lo de penas posteriores, em novos desdobramentos dos processos no âmbito da Operação Lava Jato.
Palocci entrega
Segundo Santana, o depoimento agradou a equipe do juiz Sérgio Moro.
— Eu era cumplice sem saber, de um regime corrupto – disse o marqueteiro.
Atacado por todos os flancos, não teria restado a Palocci outra alternativa. Teria fechado, assim, a colaboração com a Justiça, no processo, nas primeiras horas desta manhã. Mas, apenas consentir nas acusações de Santana e dos executivos da Odebrecht seria insuficiente para livrá-lo de uma pena extremamente pesada. Precisaria colocar algo novo no cardápio dos investigadores. Nesta quarta-feira, executivos de grandes bancos, brasileiros e internacionais, convocaram reuniões de emergência para avaliar os danos de um novo tsunami no setor financeiro nacional. Um operador de uma mesa de câmbio percebeu o movimento e ligou para a redação do Correio do Brasil.
Na opinião dos delegados federais, que falaram ao CdB, Palocci guarda informações valiosas. Ele seria um arquivo importante sobre a atuação dos agentes financeiros nas campanhas eleitorais. Uma confissão deste porte coloca em xeque o sistema político, econômico e financeiro do país. O diário argentino de extrema direita Clarín, em sua edição desta quarta-feira, fala sobre o papel de Palocci na nova fase da Lava Jato. O foco, afirma, é o sistema financeiro brasileiro.
Bancos em polvorosa
Segundo a reportagem, os dados que confirmam estes pressupostos vêm do ex-ministro da Fazenda. Palocci é descrito pelos argentinos como “homem de grande influência durante o primeiro governo de Lula da Silva”. Ele está preso desde setembro do ano passado.
O jornal relata uma reunião em Curitiba, com a força-tarefa que investiga o escândalo de propinas na Petrobras. Palocci teria dito, segundo o Clarín, que poderá discorrer, longamente, sobre a corrupção em torno do sistema financeiro nacional. Mais precisamente na atuação dos bancos com presença no cenário nacional.
O diário lembra que Palocci foi preso após ser acusado de receber propina para agir em nome da Odebrecht. Isso ocorreu durante um período que durou de 2006 a 2013. Com acusações dos 78 ex-executivos do grupo, fica desnecessária qualquer história sobre corrupção na Petrobras.
Ao delatar o setor bancário, o petista constrói uma base perfeita para os benefícios da delação. Isso poderia até livrá-lo, definitivamente, das grades.
Os advogados de Palocci ainda tentavam, nesta manhã, junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), um habeas corpus para livrar o ex-prefeito de Ribeirão Preto. O resultado, porém, tende a ser desfavorável ao réu, preveem os advogados.