O recado do presidente-executivo da mexicana Jugos del Valle, maior fabricante de sucos do Brasil, é bastante claro: o grupo não está à venda e não tem planos de se associar a uma gigante de bebidas.
- Definitivamente, podemos viver sozinhos. Estamos focados em um segmento, o de sucos de frutas. Parte dos problemas das empresas que se unem é que elas perdem o foco - disse nesta quarta-feira Roberto Albarrán, em visita de rotina ao Brasil para delinear estratégias da companhia.
O executivo - que garante não ter recebido oferta pela empresa - aposta no Brasil como centro para expansão da Del Valle na América do Sul. Primeiro, pela variedade de frutas disponíveis no país e, depois, pelo potencial de aumento do consumo. O brasileiro toma, em média, cerca de 2 litros de suco por ano, contra os 9 litros no México.
Uma fonte da indústria de bebidas observou que a Del Valle é uma empresa admirada no segmento, mas que as potenciais interessadas na compra estão voltadas neste momento a outros projetos. A AmBev, por exemplo, está concentrada nos negócios de cerveja e refrigerantes, e acaba de lançar mundialmente a marca Brahma.
A Del Valle, de origem familiar e com ações na Bolsa do México, tem cerca de 30 por cento do mercado brasileiro de sucos, seguida pela brasileira Sucos Mais, de acordo com dados da empresa mexicana. Em meados de janeiro, reportagens informaram que a Sucos Mais seria vendida à Coca-Cola. Na ocasião, a Mais admitiu o interesse de grupos multinacionais na empresa, ressaltando, porém, que havia apenas "avaliações de propostas e oportunidades".
O presidente da Del Valle, por sua vez, refutou a possibilidade de comprar rivais menores do setor de sucos.
- Podemos agregar mais valor ao nosso negócio com o conhecimento que temos do que com aquisições.
Para financiar a expansão dos negócios, o diretor financeiro, Javier Garcia, disse que a Del Valle pode recorrer à bolsa do México ou atrair fundos de investimento (private equity).
- Inclusive temos uma posição bem baixa de dívida, então, poderíamos fazer expansão dos negócios via empréstimos bancários - afirmou.
O balanço de 2004 da Del Valle ainda não foi divulgado, mas Albarrán antecipou que o faturamento bruto do grupo no ano foi de cerca de 500 milhões de dólares.
A receita bruta no Brasil foi de 212 milhões de reais, alta de 62 por cento sobre 2003. O volume de vendas subiu 10 por cento no último exercício. A expectativa para este ano é de crescimento entre 10 e 15 por cento, tanto na receita como em volume nas operações brasileiras.
A Del Valle está no Brasil desde 1999 e já investiu aqui cerca de 60 milhões de dólares. A única fábrica no país está em Araçatuba, interior de São Paulo, e tem capacidade instalada de 120 milhões de litros por ano e 65 por cento de ocupação no momento.
Del Valle mantém independência e aposta em crescimento no Brasil
Quarta, 30 de Março de 2005 às 15:38, por: CdB