A demanda na zona do euro está desabando e as pressões inflacionarias desaparecendo, mostraram levantamentos publicados nesta sexta-feira, num momento em que as autoridades monetárias avaliam as desanimadoras perspectivas de uma deflação. O Banco do Japão resolveu manter sua taxa básica de juro em 0,3% e afirmou que o caminho da recuperação econômica será longo.
Nos mercados, a expectativa é de novos cortes do juro no próximo mês nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Europa, à medida que a pior crise financeira dos últimos 80 anos empurra boa parte do globo para uma recessão. O presidente do banco central japonês, Masaaki Shirakawa, afirmou estar atento ao risco de deflação no momento em que a economia do país entra em recessão, mas ele não previu o retorno do problema.
– A economia global vai passar por um severo ajuste por algum tempo – disse Shirakawa a jornalistas.
O presidente do Federal Reserve de St Louis, James Bullard, disse que com a taxa de juro já em patamar baixo, o banco central dos Estados Unidos pode ter de confiar em "flexibilização quantitativa" para evitar uma deflação.
Ele relembrou as grandes injeções de liquidez do Banco do Japão durante a década de 1990 para forçar a economia a retomar a atividade depois que a taxa básica de juro atingiu o patamar zero.
– É preciso acontecer algumas coisas para termos alguma deflação. Mas eu acho que as expectativas de inflação estão muito variáveis neste momento. Se fizermos nosso trabalho isso não vai acontecer e nós estamos dedicados a isso – disse Bullard durante uma conferência econômica regional.
O Fed deve cortar a taxa de juro para 0,5% no próximo mês, segundo expectativa do mercado. A batalha do Japão contra preços continuamente em queda e estagnação econômica, que durou uma década, paira na memória das autoridades monetárias. Reverter uma recessão é duplamente difícil se preços caem de maneira ampla e constantemente já que não há incentivo para gastar, uma vez que consumidores e empresas sabem que as coisas tendem apenas a ficar mais baratas.
Com bancos já relutantes em emprestar – depois que o mercado imobiliário dos Estados Unidos desmoronou – uma deflação representaria a "tempestade econômica perfeita".