O Brasil registrou em maio déficit em transações correntes de US$ 2,020 bilhões, o menor desde agosto do ano passado. A cifra, divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira, também ficou em linha com o esperado pelo mercado. Analistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam saldo negativo de US$ 1,9 bilhão. No mês, o déficit em conta corrente foi inteiramente coberto por investimentos estrangeiros diretos no país, que tiveram o melhor resultado do ano. O fluxo foi de US$ 3,534 bilhões, acima dos US$ 2,483 bilhões computados em investimentos diretos em maio de 2009.
Mas, na revisão periódica das projeções das contas externas, o BC reduziu sua estimativa para os investimentos estrangeiros diretos neste ano em US$ 7 bilhões, para 38 bilhões. O prognóstico para o déficit em transações correntes foi mantido em US$ 49 bilhões, apesar de o BC ter elevado sua estimativa para o superávit comercial em US$ 3 bilhões, para US$ 13 bilhões. Em 12 meses até maio, o déficit em transações correntes equivale a 1,94% do Produto Interno Bruto (PIB).
Turismo em alta
A nova onda de aumentos nos gastos dos turistas brasileiros no exterior, nos últimos meses, forçou o BC a revisar o ítem de viagens internacionais das contas externas. A diferença entre o que os brasileiros gastam nos países de destino e as despesas de turistas estrangeiros aqui no Brasil gira em torno dos US$ 8 bilhões, acima dos US$ 7,5 bilhões previstos anteriormente e dos US$ 5,6 bilhões registrados em 2009.
O dado significa que o país gasta mais dinheiro lá fora do que recebe dos turistas que vêm ao Brasil, o que aumenta o deficit nas contas externas do Brasil. Nos cinco primeiros meses de 2010, os gastos de turistas brasileiros fora do país já somam US$ 5,7 bilhões, 65% acima do registrado no ano passado. O gasto de estrangeiros está em US$ 2,5 bilhões, aumento de 17%.