Os advogados de defesa do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, vão impetrar nesta sexta-feora um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Eles tentarão a revogação da prisão preventiva.
Para a defesa, Sérgio Gomes da Silva pode ser morto na cadeia por presos de facções criminosas ligadas aos seqüestradores do prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002.
"Vamos ter de fazer tudo pela memória, porque não pudemos ter cópia do processo", disse um dos advogados, Adriano Vanni. Sérgio Gomes da Silva passou a noite de ontem em uma sala no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), vigiado por quatro policiais. Ele afirmou que é formado em Pedagogia e deve apresentar um diploma. Assim, ele será transferido para uma prisão especial, caso o habeas-corpus da defesa seja negado.
O juiz Luiz Fernando Prestes, da 1ª Primeira Vara Criminal de Itapecerica da Serra, decretou ontem a prisão preventiva do empresário. O anúncio da decretação da prisão preventiva foi confirmada pelo advogado do empresário Adriano Salles Vanni.
O Ministério Público apurou uma série de contradições no processo policial que concluiu que Celso foi vítima de um seqüestro-relâmpago comum. As provas reunidas pelo MP foram encaminhadas à Justiça, denunciando Sombra por homicídio triplamente qualificado pela morte do prefeito de Santo André Celso Daniel.
O caso
Sombra foi denunciado pelo MP por homicídio triplamente qualificado por supostamente ter contratado os assassinos, por ter impedido a defesa da vítima e porque o crime garantiria a execução de outros crimes. De acordo com o Ministério Público, Sombra fazia parte de um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André que recebia propina de empresas de transporte e o prefeito Celso Daniel teria tomado providências para acabar com a fraude ao descobri-la.
As contradições entre as declarações de Sombra e as perícias feitas pela polícia aumentaram mais as suspeitas sobre o amigo do ex-prefeito. Sombra havia dito que houve problemas nas travas elétricas do carro em que estavam, que houve tiroteio com os bandidos e que o carro morreu. A perícia da polícia desmentiu todas as declarações. Primeiro, não foi constatado problema na trava elétrica do carro. Segundo, não foram achadas marcas de tiros. E, em terceiro lugar, por ser um carro automático, ele não poderia "morrer".
A denúncia do MP diz que "Sergio Gomes deliberadamente estancou marcha e abriu a trava da porta do automóvel para que Celso, como previamente acertado com os demais autores do crime, pudesse ser retirado e levado para a morte. Toda a ação teria sido, portanto, planejada e desenvolvida para a retirada do passageiro, único alvo de toda aquela encenação".
Sombra estava no carro com o prefeito no momento em que ele foi seqüestrado em São Paulo, em 18 de janeiro de 2002. Celso Daniel foi morto dois dias depois por uma quadrilha de traficantes. Ele havia sido levado para um cativeiro na favela Pantanal, em Diadema, e depois para uma chácara em Juquitiba, a 78 quilômetros de São Paulo. Na época, o inquérito concluiu que teria sido um seqüestro seguido de morte. A família do ex-prefeito solicitou a reabertura das investigações ao Ministério Público.