Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Defesa resolve intervir na crise da BRA

Ministro da Defesa, Nelson Jobim confirmou nesta sexta-feira que a empresa aérea BRA definirá com outras companhias a locação de seus aviões, além do repasse de sua tripulação, para permitir que os passageiros que compraram passagens da companhia sejam atendidos. O governo decidiu intervir para garantir o atendimento aos 70 mil passageiros que possuem bilhetes emitidos pela companhia aérea até março de 2008. Intervenção, diz o ministro, não significa qualquer tipo de ajuda financeira

Sexta, 09 de Novembro de 2007 às 11:56, por: CdB

Ministro da Defesa, Nelson Jobim confirmou nesta sexta-feira que a empresa aérea BRA definirá com outras companhias a locação de seus aviões, além do repasse de sua tripulação, para permitir que os passageiros que compraram passagens da companhia sejam atendidos. O governo decidiu intervir para garantir o atendimento aos 70 mil passageiros que possuem bilhetes emitidos pela companhia aérea até março de 2008. 

Jobim afirma que a intervenção não representa nenhum tipo de ajuda financeira. A companhia pede R$ 30 milhões para custear as indenizações de seus 1,1 mil funcionários, que estão de aviso prévio, e para ressarcir passageiros. A BRA suspendeu todos os seus vôos na última terça-feira.

Segundo o ministro, as empresas que assumirão os passageiros da BRA terão obrigação de honrar todos os compromissos da companhia em dificuldades. Durante toda a quinta-feira, já haviam sido realizadas negociações entre o Assessor Especial do Ministério da Defesa, Jorge Godinho, e o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil, Brigadeiro Allemander Pereira Filho, com a participação do ministro Jobim.

A reacomodação de passageiros é prioridade para aqueles que estão dependendo da viagem de retorno. A BRA enfatiza que a acomodação de seus passageiros depende da disponibilidade de assentos em aviões das empresas que estão aceitando os bilhetes endossados: Gol, TAM, Varig e WebJet.

O ministro declarou que está sendo feito um levantamento sobre o passivo da BRA, mas a decisão política e empresarial de realização do acordo para evitar que os passageiros fiquem sem atendimento já está tomada.

Jobim visitará, no Rio, a Escola Superior de Guerra, e às 14 horas o Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), que o ministro quer reformular e exigir a presença das empresas aéreas no órgão para garantir a solução imediata de problemas que possam surgir nos aeroportos do País. Atualmente as empresas que integram o CGNA pouco tem participado das decisões.

Socorro estatal

Na quinta-feira, Jobim afirmou que o poder público não teria condições de tomar providências para evitar que a companhia aérea chegasse à situação de insolvência. — Não temos condições, estamos em regime de mercado. O contribuinte brasileiro não teria que investir na BRA. Quem teria que investir eram seus investidores — declarou em conversa com jornalistas em Brasília.

Os investidores da BRA, agrupados no Brazil Air Partners, negociam a obtenção de R$ 22 milhões para reembolsar seus passageiros que já haviam adquirido passagens da companhia. Outros R$ 7 milhões estão sendo negociados para pagar a rescisão dos trabalhadores que estão em aviso prévio.

Funcionários

Cerca de 20 funcionários da BRA preparavam, na manhã desta sexta-feira, uma manifestação no centro de São Paulo. O plano do grupo era seguir até o Tribunal do Trabalho, também na região central da cidade. Os 1.100 trabalhadores foram demitidos na última terça-feira, quando a empresa anunciou a suspensão de todos os seus vôos domésticos e internacionais.

A BRA atendia 35 vôos domésticos por semana e 55 nos finais de semana para 26 destinos nacionais. Além disso, mais 3 vôos semanais para Madrid, 5 para Lisboa, e 2 para Milão. Segundo dados da Anac de setembro, a empresa tinha 4,6% do mercado doméstico, à frente da Ocean Air, que estava com 2,61%.

Anac

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá divulgar, até o fim desta sexta, os termos do acordo fechado com a BRA para garantir o transporte de passageiros da companhia aérea, prejudicados com a paralisação das atividades da empresa.

Pelo acordo que está sendo negociado, o governo quer que os passageiros voem nos horários e dias para os quais compraram as suas passagens. A idéia é que as empresas aéreas assumam os aviões e a tripulação da BRA para garantir o transporte desses passageiros.

O governo está evita

Tags:
Edições digital e impressa