Por Agência Brasil 20/05/2011 às 20:02
Defesa de skinheads de São Paulo diz que jovens foram 'vítimas dos temores'
Por volta das 17h desta sexta-feira, no Fórum de Mogi das Cruzes, o advogado de defesa de Juliano Aparecido de Freitas, acusado de arremessar dois jovens de um trem em movimento, em 7 de dezembro de 2003, iniciou sua exposição. Durante a fala, Adriano Hisao Moyses Kawasaki negou ter acusado a mídia de 'julgar' Freitas e os dois outros acusados antecipadamente, mas lembrou das consequências de uma "informação mal dada". Kawasaki disse ainda que, se as vítimas tivessem enfrentado o acusado, nada teria acontecido. "Os rapazes foram vítimas dos próprios temores", afirmou o advogado.
Após a promotoria alegar que o comportamento violento dos acusados teria provocado medo nas vítimas, fazendo-as se jogar do trem, Kawasaki exibiu uma reconstituição do dia dos fatos, e alegou ser "suposição" o medo das vítimas diante dos jovens apontados como skinheads. A defesa afirmou ainda que as imagens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) são externas e, por isso, não provam que as vítimas teriam sido arremessadas.
O advogado de defesa usou um dos laudos da perícia e afirmou que o tempo de saída do trem da estação - 16 segundos - e o distanciamento da plataforma eram insuficientes para que acusado conseguisse sair do fundo do vagão, correr atrás das vítimas e provocar o medo e a reação dos jovens.
O promotor Marcelo Alexandre de Oliveira contestou a defesa e sugeriu que, se fosse ameaçado, reagiria em menos tempo. Nesse momento, Kawasaki pediu para que o promotor provasse. Oliveira pegou então uma espécie de boleadeira medieval, uma das supostas armas pertencentes a Freitas, e correu pela sala do júri. "Não deu nem 10 segundos", disse o promotor antes de voltar para a sua cadeira. "Isso aqui não é teatro", afirmou Kawasaki, que foi logo repreendido por Oliveira, "O senhor autorizou", disse o promotor. Diante dos risos, o juiz chamou a atenção dos presentes na sala do júri, e a defesa retomou sua exposição.
Na sequência, o advogado de defesa afirmou que se as vítimas tivessem parado para enfrentar Juliano nada teria acontecido porque o acusado, segundo Kawasaki, seria "bunda mole". A exposição da defesa do acusado terminou às 18h36.
O juiz Alberto Alonso Muñoz determinou um intervalo de 20 minutos antes do início da réplica da Promotoria, que deve durar uma hora. Em seguida, vem a tréplica da defesa, com o mesmo período. O conselho de sentença não tem prazo determinado para anunciar sua decisão.