O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira que o aumento na taxa de mortalidade infantil e a queda da natalidade são as ameaças mais sérias ao futuro do país.
- O mais grave problema na Rússia moderna é a demografia - disse Putin em seu discurso anual.
De acordo com o líder, a população russa, que gira em torno de 143 milhões de pessoas, perde, em média, 700 mil pessoas por ano. Ele anunciou um programa nacional de 10 anos de incentivo à gravidez, criando novos benefícios para mulheres que tiverem um segundo filho ou abandonarem o trabalho para ser mães.
Putin também falou de política externa, economia e das forças armadas no discurso desta quarta-feira. Muitos esperavam que Putin rebatesse as recentes críticas de Washington ao desempenho da Rússia na área de direitos humanos e de democracia.
O presidente russo, no entanto, fez apenas comentários genéricos sobre o assunto. Ele chegou a elogiar a preocupação dos Estados Unidos com a segurança e deu a entender que outros países deveriam seguir o exemplo.
- A casa é o castelo deles, parabéns, parabéns, parabéns. Isso significa que devemos construir a nossa própria casa sólida e confiavelmente - disse Putin, destacando que o orçamento militar americano é quase 25 vezes maior que o da Rússia.
Corrupção
No discurso "Estado da Nação" russo, Putin afirmou ainda que a grande questão para o futuro é como integrar a Rússia ao sistema econômico mundial. Ele admitiu a existência de corrupção generalizada na sociedade russa, bem como a desconfiança das grandes empresas e do Parlamento.
No entanto, ele ressaltou que a responsabilidade social deve ser o objetivo principal dos empresários russos e dos funcionários do governo. O presidente russo também pediu uma participação maior da Organização das Nações Unidas (ONU) nas questões mundiais.
- Não há dúvidas de que são necessárias reformas. A Rússia, que está participando ativamente nesse trabalho, acredita que elas devem aumentar a eficiência e conquistar o maior apoio possível para a organização.
Para Putin, a ONU deveria se transformar em um mecanismo regulador que possibilite a articulação de novas regras, de um novo código de conduta na área internacional, "regras à altura dos desafios dos nossos tempos e que, por isso, são tão essenciais para a globalização".