Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Decisão de dispensar depoimento de empresário em CPI causa polêmica

Deputados da CPI da Petrobras protestaram contra a decisão do presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), de dispensar o empresário Gerson Almada.

Quinta, 21 de Maio de 2015 às 09:02, por: CdB
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Hugo Motta disse que não iria perder tempo com o empresário
Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras protestaram contra a decisão do presidente do colegiado, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), de dispensar o empresário Gerson Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, que disse no início de seu depoimento que iria permanecer calado ao longo da audiência. - Este senhor é uma figura central no esquema de desvio da Petrobras. Se fizermos o mesmo com todos os empreiteiros, não vamos avançar - disse o deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA), que é policial federal. - Esta decisão (de dispensar o depoente) abre um precedente grave para a CPI - acrescentou a deputada Eliziane Gama (PPS-MA). = Desse jeito, só podemos chamar quem fez delação premiada - afirmou o deputado Izalci (PSDB-DF). - Temos que interrogar o depoente, mesmo que ele não queira falar. E isso não é vontade de aparecer. É vontade de trabalhar - ressaltou o deputado Delegado Waldir (PSDB-GO). O presidente da CPI justificou sua decisão. - Depoimentos de pessoas que não querem falar são improdutivos. Isso aconteceu em Curitiba - disse Hugo Motta. A decisão de Hugo Motta foi apoiada pelo relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). - Não dá para ficar aqui cinco, seis horas ouvindo discursos políticos nos casos em que o depoente não quer falar nada - afirmou. O deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) concordou. - Qual o proveito de interrogar um mudo? Só para ficar ouvindo discursos políticos? - questionou. Depoimento - Tenho ciência da importância da CPI e do Congresso Nacional, mas vou exercer o meu direito de não me incriminar, já que sou réu de ação penal da Operação Lava Jato - disse o executivo Gerson Almada, vice-presidente da empreiteira Engevix, no início do depoimento. Dessa forma, ele foi dispensado pelo presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB). A disposição de Almada de ficar em silêncio irritou os deputados. - Este senhor participou de quase todas as obras da Petrobras, é ligado ao Milton Pascowitch, que foi preso hoje pela Polícia Federal. É muita cara de pau - afirmou o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI. Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o empresário "perde uma ótima oportunidade de se defender". Almada foi denunciado pelo Ministério Público por lavagem de dinheiro e corrupção, junto com outros executivos e funcionários da Engevix: Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico; Luiz Roberto Pereira, diretor; e Newton Prado Júnior, diretor. A Engevix participou de licitações para reforma das refinarias Abreu e Lima (PE) e Getúlio Vargas (PR). Entre 2007 e 2014, as empresas do grupo assinaram contratos com a Petrobras no valor total de R$ 4,1 bilhões. Nesse período, transferiram cerca de R$ 7 milhões para contas de empresas de fachada usadas pelo doleiro Alberto Youssef. O vice-presidente da empreiteira é ligado a Milton Pascowitch, preso hoje pela Polícia Federal na 13ª fase da Operação Lava Jato. Pascowitch é acusado de intermediar propinas da Engevix para diretores da Petrobras e para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Em depoimento à CPI, Vaccari admitiu que conhecia Almada e que houve doações formais da Engevix ao PT, mas negou ter recebido propina da empresa. Ele disse apenas ter conversado com o empresário a respeito de doações oficiais ao partido. - Ele fez algumas doações e desde então não tivemos mais contatos - disse.
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