Uma carta aberta ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, critica a decisão de retirar o estado do Maranhão da lista dos estados incluídos na região de semi-árido brasileiro. O documento é assinado pelas organizações que fazem parte da Articulação do Semi-árido no Maranhão (ASA Maranhão).
Segundo as entidades, o mesmo ato administrativo que identifica e amplia os municípios do semi-árido, para que a região seja reconhecida como área específica de políticas públicas, excluiu o Maranhão desta área.
"Embora desconhecido pela tecnocracia, o semi-árido maranhense já é de amplo reconhecimento da academia, pesquisadores, movimentos sociais, organismos internacionais (como o Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância), Governo do Estado do Maranhão e instituições, como o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", ressalta a carta.
O semi-árido do Maranhão compreende 96 mil quilômetros quadrados, distribuídos em 44 municípios, com uma população de 1,15 milhão de habitantes. Situa-se na área de transição entre a Amazônia/Caatinga e Cerrado/Caatinga, onde a precipitação é de, aproximadamente, mil milímetros e a evapotranspiração acima de 1.500mm. Ou seja, chove muito, em relação aos demais estados no Semi-árido brasileiro, mas também evapora muito mais rapidamente.
As entidades pedem ao ministro da Integração Nacional a revisão da lista de municípios do semi-árido, com a inclusão de municípios do Maranhão. Outros ministérios do governo brasileiro têm aplicado recursos no Estado para combater a desertificação e para garantir o abastecimento de água à população. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por exemplo, alocou recursos para a construção de mais de 300 cisternas em sete municípios do semi-árido maranhense.