Os dados divulgados pelo IBGE sobre os jovens de 15 a 17 anos que estão estudando mais e postergando sua entrada no mercado de trabalho chegam em boa hora. Exatamente nestas semanas em que o governo lança o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) e quando se discute a idade mínima para aposentadoria.
Oportunos, porque chegam num momento em que se divulgam e se discutem, também, os dados sobre outra pesquisa no mercado de trabalho brasileiro - a relativa aos aposentados que voltaram a buscar e a conseguir empregos.
Eles ensejam uma discussão que o Brasil nem pode postergar: de um lado é bom para o país que seus jovens estudem e comecem a trabalhar mais tarde; de outro, énecessário que se discuta a questão da aposentadoria dos idosos. Se não o fizermos, daqui a pouco teríamos de manter os mais jovens fora do mercado de trabalho como já vem acontecendo em países da Europa.
Manutenção dos jovens e aposentadorias dos idosos
A questao que se coloca, então - e eu acho que este deve ser o eixo dessa discussão - é como financiar a Previdência Social para os mais velhos e a educação para osmais jovens. Estes são dois debates, ou uma discussão com dupla face, que precisa ser colocado como prioridade no Brasil.
Não podemos deixar que a Previdência Social corra qualquer risco de não poder suprir, pagar as aposentadorias e benefícios que ela cobre para os mais velhos. E, na questão dos mais jovens, não se deve discutir apenas a cobertura a lhes ser dada pelo ensino público.
O debate aí tem de ser mais amplo e englobar as formas e meios pelos quais o país dará aos nossos jovens não apenas o ensino público de qualidade, mas tambem o apoio para a sua manutenção enquanto estudam e tem despesas com transportes, material escolar, alimentação e moradia. Este é um desafio - o grande desafio - que o país terá nos próximos anos.
Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026
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