Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

De onde vem o ódio de Bin Laden pela América (I)

Quinta, 08 de Julho de 2004 às 22:01, por: CdB

 
Mais uma vez é declarado pelo governo norte-americano um ponto a ser atacado pela Al Qaeda: as eleições presidenciais deste ano, ameaçando o seu tão proclamado sistema democrático de escolha de líderes.
Entrando na linha de que "a maioria dos nossos problemas somos nós mesmos que criamos", surge mais um para os Estados Unidos, a Al Qaeda de Osama Bin Laden.
Durante a era Reagan, no começo da década de 80, quando a URSS invadiu o Afeganistão, os EUA colocaram egípcios, sauditas e outros estados árabes na luta contra o inimigo vermelho "bicho-papão" socialista.
Além disso, recrutou homens do próprio Afeganistão e do Paquistão, sem considerar quem estes eram, de onde vinham exatamente e principal: o que fazer com eles depois que os "vermelhinhos" fossem varridos do mapa afegão.
A Arábia Saudita assumiu a liderança para reunir o grupo de "ajuda". O chefe da inteligência saudita confiou em um homem de uma família rica do ramo de construção, que era íntima da família real saudita (Casa de Saud).
Foi dado a esse homem, pelos governos saudita e pelos EUA, o poder para recrutar, movimentar, treinar e doutrinar o exército "voluntário" no Afeganistão. Esse homem era Osama Bin Laden.
O primeiro motivo do ódio do líder da Al Qaeda contra a América aparece pouco depois disso.
Com o término da Guerra Afegã, Osama Bin Laden retornou triunfante em 1989 para a Arábia Saudita. O Príncipe Turki pediu para ele organizar uma resistência com base na religião fundamentalista contra o regime de estilo comunista do Iemên do Sul.
Bin Laden ainda tinha organizados alguns grupos combatentes afegãos e quando o Kwaitt foi invadido, ele ofereceu seus homens para defender a Arábia Saudita e para expulsar Saddam.
A sua ajuda foi descartada, pois havia os EUA para fazer essa tarefa.
Uma revolta cresceu dentro de Bin Laden. Para ele, deixar entrar não-crentes no país que abriga as duas cidades sagradas do Islamismo, Meca e Medina, era como profanar o Islã. Grandes números de militares americanos andando pelas ruas sauditas, violariam as regras ensinadas por Maomé.
Apesar de revoltado e de ter se sentido usado e menosprezado, engoliu o paralelepípedo e não foi nesse episódio que rompeu com o regime da Casa de Saud.
Mas o desprezo pela sua ajuda, em troca de norte-americanos em seu país, foi o primeiro motivo para um ódio que cresceria ainda mais.
Ironicamente, o atual inimigo número um dos Estados Unidos, é uma criação deles próprios. Ronald Reagan "dormia com o futuro inimigo" e não sabia.

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