Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

De olho na crise europeia, Copom sinaliza com juros ainda mais altos

O Banco Central, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, avalia que aumentaram os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno no Brasil, competindo à política monetária agir de forma "incisiva" para evitar que a maior incerteza em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos. (Leia Mais)

Quinta, 06 de Maio de 2010 às 09:00, por: CdB

O Banco Central, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira, avalia que aumentaram os riscos à concretização de um cenário inflacionário benigno no Brasil, competindo à política monetária agir de forma "incisiva" para evitar que a maior incerteza em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos. O comentário ocorre após a elevação da Selic em 0,75 ponto percentual, para 9,5% ao ano.

Ainda segundo o Copom, a “prevaleceu o entendimento entre os membros do comitê de que competiria à política monetária agir de forma incisiva para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos”. De acordo com o documento, o Copom considera que a economia se encontra em novo ciclo de expansão e as incertezas sobre o ritmo desse processo deverão ser dirimidas ao longo do tempo.

“Os sinais de aquecimento da economia se manifestam, por exemplo, na trajetória dos núcleos de inflação, na elevação das expectativas de inflação, nos indícios de escassez de mão-de-obra em alguns segmentos e na elevação dos custos dos insumos”, diz o documento. Para o Copom, nesse cenário, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta.

Crise europeia

O eventual agravamento da crise fiscal em países europeus é parte importante do contexto das decisões futuras sobre a taxa básica de juros, a Selic, segundo informou a ata da reunião. O Copom também decidiu avaliar os efeitos dos estímulos fiscais e creditícios adotados durante a crise financeira internacional e da “reversão de parcela substancial” dessas iniciativas, a partir do final do ano passado.

O documento revela que “decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”. A meta de inflação para este e o próximo ano é de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Copom justifica que a experiência internacional e brasileira indica que taxas de inflação elevadas “levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público” e ao “encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas”.

Consequentemente, diz a ata, “taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda”.

“Assim sendo, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas neste e nos próximos anos, o que exige que eventuais desvios em relação à trajetória de metas sejam prontamente corrigidos”.

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