Rio de Janeiro, 22 de Agosto de 2026

De novo o mercado aposta em mais juros

Terça, 26 de Abril de 2011 às 09:05, por: CdB

A divulgação do Boletim Focus, aquela pesquisa semanal que o Banco Central (BC) faz para sondar as expectativas quanto a inflação futura, mostra que o mercado eleva pela 7ª vez consecutiva sua previsão para a taxa inflacionária deste deste ano - eleva-a dos 6,29% da semana passada para 6,34% nesta.

Eleva a estimativa da inflação para buscar, por outro lado, a ampliação dos juros, manter o cerco ao Comitê de Política Monetária (COPOM) do BC para que ele eleve a Selic em sua próxima reunião, que deve se realizar no início de junho. Na última, 4ª feira próxima passada, o COPOM elevou a taxa em 0,25% - ela passou de 11,75% para 12% ao ano.

A minha avaliação é de que o BC faz de tudo para acertar e evitar o pior - aumentar os juros como quer a oposição, uma parte da mídia e os rentistas. Mas erra, termina elevando-os e corremos o risco de sofrer séria repercussão disso no crescimento econômico de 2011,

Vamos ver se inflação cai em maio e junho


Vamos aguardar e ver a inflação de maio e junho. Agora, se não cair, fica provado que os juros (elevá-los) não resolvem e que o problema é mais grave. Tem raízes no passado, na crise internacional atual e no desigual e natural crescimento tardio da economia brasileira.

A questão não é fácil e não tem saída simples. Mas esta, definitivamente, não está em subir a Selic. Aumentá-la significa mais gastos com juros, mais valorização, mais dólares entrando no país, mais problemas na balança externa e, tudo indica, um crescimento medíocre.

Não podemos e não devemos esquecer que pior que uma inflação de 6% é o desemprego e a queda dos investimentos. E o mais grave de tudo: os riscos de interrupção do ciclo virtuoso de crescimento que estamos vivendo.

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