Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

De la Rúa afirma serem falsas as acusações de suborno em seu governo

Sábado, 13 de Dezembro de 2003 às 12:14, por: CdB

O ex-presidente da Argentina Fernando de la Rúa afirmou que é "absolutamente falso" que durante seu Governo legisladores tenha sido subornados para aprovar uma lei, mas Carlos Alvarez, que era vice-presidente na época do caso, confirmou a denúncia.

Em declarações publicadas hoje por diversos jornais, De la Rúa e Álvarez voltam a divergir sobre o caso que motivou a renúncia do vice-presidente em outubro de 2000 e que agora voltou à tona com as denúncias de um ex-funcionário do Senado que diz ter sido o encarregado de pagar os subornos.

- Estou surpreso. Tudo é absolutamente falso, pelo menos o que li e ouvi. Não conheço a declaração (do ex-funcionário Mario Pontaquarto) ao juiz - disse De la Rúa ao jornal Clarín.

Pontoquarto, ex-secretário parlamentar do Senado, confessou em entrevista à revista TXT e depois, nesta sexta-feira, à Justiça que no ano 2000 foram pagos com recursos proporcionados pelo Estado por volta de 5 milhões de dólares a vários senadores para garantir a aprovação da lei de reforma trabalhista, o que aconteceu em abril daquele ano.

A confissão de Pontoquarto reavivou um escândalo sobre o qual até agora não existiam provas concludentes.

- Eu não participei de nenhuma etapa da negociação dessa lei - disse a La Nación  De la Rúa, que afirmou ser vítima de "um via crucis persecutória" desde que renunciou à Presidência em dezembro de 2001, em meio a uma explosão social e a uma crise econômica sem precedentes.

O ex-vice-presidente "Chacho" Álvarez, no entanto, afirmou ao jornal Página/12 que existia "uma quadrilha" no Senado para a "compra e venda" de leis da qual participavam integrantes tanto do hoje governante Partido Justicialista (PJ) como da União Cívica Radical (UCR), partido de De la Rúa.

- O testemunho de Pontoquarto é chave porque põe nome e sobrenome a algo que até agora era uma certeza política - disse Álvarez, que assinalou de la Rúa como "o principal responsável político pelo que ocorreu".

Álvarez foi vice-presidente devido à Aliança entre a UCR e seu partido, a Frente para um País Solidário (Frepaso), para concorrer nas eleições de 1999. Quando renunciou, em outubro de 2000, ele criticou a atitude do Governo de De la Rúa frente à corrupção, que considerou negligente.

- Não é possível acreditar que se pague 5 milhões de dólares por vontade de um ministro ou do chefe da Side (Serviço de Inteligência do Estado)... o presidente consentiu; pensar o contrário seria infantil - afirmou Álvarez ao jornal  Clarín.

O testemunho de Pontoquarto, que  prestou depoimento durante várias horas ao juiz Norberto Oyarbide, mesmo com a causa sendo reassumida neste sábado por Rodolfo Canicoba Corral, é "importante" para a "limpeza" do sistema político argentino, afirmou Álvarez.

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