Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

De férias, Tuma Júnior diz estar 'babando de vontade' de depor

Quarta, 12 de Maio de 2010 às 08:49, por: CdB

Envolvido em denúncias de ligação com a máfia chinesa em São Paulo, o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, decidiu pedir férias de 30 dias para trabalhar na sua defesa. Tuma Júnior disse que a Polícia Federal “requentou” as acusações e que pediu ao ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que abrisse uma investigação para apurar as circunstâncias dos procedimentos contra ele na investigação

O Ministério da Justiça informou que a solicitação de férias foi “orientada” com o objetivo de dar tempo para que Tuma Júnior se defenda das acusações. Dois servidores ligados ao secretário nacional de Justiça também deixarão suas funções no órgão. O diretor do Departamento de Estrangeiros, Luciano Pestana Barbosa, citado em investigações da Polícia Federal, também vai tirar um mês de férias. O assessor de Tuma Júnior, Paulo Guilherme Mello, apontado como "braço direito" do secretário, deixará suas funções no ministério e retornará à Polícia Federal em São Paulo, onde é delegado.

'babando de vontade'

Tuma Júnior, em conversa com jornalistas, no início da madrugada desta quarta-feira, disse que pediria apenas 15 dias de férias, mas que poderia reavaliar o tempo de recesso para 30 dias. Logo em seguida, perguntou a alguns repórteres se ele deveria pedir 15 ou 30 dias e aceitou a sugestão de que ficasse afastado um mês todo.

– Então está decidido: pedirei 30 – disse.

Uma série de matérias publicadas na imprensa matutina revelou que gravações telefônicas e e-mails interceptados pela Polícia Federal estabeleceriam uma ligação entre Tuma Júnior a Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, apontado como um dos chefes da máfia chinesa em São Paulo. Deflagrada em setembro de 2009, a Operação Wei Jin levou à prisão de Li e outras 13 pessoas.

Ainda aos jornalistas, Tuma disse estar “babando de vontade" de depor ao Comitê de Ética Pública, mas ainda sabe a data do seu depoimento. Uma das prerrogativas do secretário era apresentar sua defesa por escrito, mas ele disse, nesta madrugada, que pretende conversar com o colegiado pessoalmente para, segundo ele, "responder a todas as dúvidas que possam surgir ao longo do depoimento".

O secretário também repetiu que não sabia das atividades ilegais praticadas por Paulo Li.

– Eu não era amigo de um bandido, eu era amigo de um cara que virou bandido – disse Júnior, ao lembrar que o conheceu Li há cerca de 30 anos, quando ainda professor de karatê da Polícia Federal.

Para encerrar a conversa com os repórteres, Tuma Júnior apontou para a estante do gabinete, onde havia uma caixa com diversos broches simbolizando as patentes da polícia de Hong Kong. Segundo afirmou, esta caixa seria a encomenda que ele faz a Paulo Li em uma das conversas gravadas pela PF.

– Não existe na história deste país um caso como esse. Uma pessoa foi investigada, não foi indiciada, não foi processada, o caso foi arquivado. E um jornal faz com que recomecem  as investigações. Isto não existe – concluiu.

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