Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

<i>De Corpo e Alma</i> desnuda o mundo dos dançarinos de balé

A realização deste projeto representa para Campbell não apenas a concretização de um sonho de longa data, mas também um passo inteligente como atriz, algo que deve tirá-la do ramo dos filmes como "Pânico" e lançá-la em filmes e papéis de mais classe. (Leia Mais)

Quinta, 20 de Maio de 2004 às 15:00, por: CdB

"De Corpo e Alma" ("The Company"), filme que estréia na sexta-feira, é a homenagem do cineasta Robert Altman ao mundo sempre cambiante do balé e seus dançarinos de primeiro nível.

Rejeitando o drama de um filme sobre dança como foi "Momento de Decisão" ("The Turning Point"), Altman e seus colaboradores optaram pelo realismo quase documental.

Eles registraram ensaios de uma companhia de dança, os cuidados rápidos dados a corpos contundidos e calejados, discussões sobre coreografias e sobre os próprios espetáculos, tudo mostrado através da fotografia atenta e amorosa de Andrew Dunn.

Altman e a roteirista Barbara Turner impõem pouca narrativa ao filme. Em lugar disso, deixam o drama por conta do trabalho cotidiano da companhia de dança Joffrey Ballet, de Chicago.

Após o estrondoso sucesso de crítica e bilheteria do filme anterior de Altman, "Assassinato em Gosford Park", "De Corpo e Alma" pode ser visto por alguns como um trabalho menor de um diretor iconoclasta.

Essa visão também pode traduzir-se num público menor -- embora extremamente apreciativo -- para o filme da Sony Pictures Classics.

Mas as glórias do Joffrey Ballet e da fotografia luminescente de Dunn fazem de "De Corpo e Alma" uma experiência teatral maravilhosamente vívida e sedutora.

ATORES NO MEIO DE BAILARINOS

A gênese do filme se deve, na realidade, à atriz Neve Campbell, uma ótima dançarina que estudou com o Balé Nacional do Canadá antes de embarcar na carreira de atriz.

Campbell escreveu a história em colaboração com Turner e a é a única atriz do filme a participar ao lado do corpo de baile do Joffrey, dançando todas suas próprias danças ela mesma no papel de Ry, que está prestes a tornar-se a primeira bailarina da companhia.

A realização deste projeto representa para Campbell não apenas a concretização de um sonho de longa data, mas também um passo inteligente como atriz, algo que deve tirá-la do ramo dos filmes como "Pânico" e lançá-la em filmes e papéis de mais classe.

O outro ator a comandar a tela é Malcolm McDowell, no papel do autocrático diretor da companhia de balé, Alberto Antonelli.

Ele percorre os escritórios da companhia e as salas de ensaio, usando uma série de écharpes elegantes e impondo sua personalidade exigente a cada espaço por onde passa.

Refere-se aos dançarinos como "meus bebês" e exige que eles pensem além de seus próprios movimentos, para alcançar o conceito do balé inteiro -- o personagem é mais ou menos baseado em Gerald Arpino, o diretor do Joffrey na vida real.

O filme não tem grande trama. Um machucado cria a oportunidade para Ry dançar um "pas de deux" num teatro ao ar livre, durante uma tempestade, na cena que talvez seja a mais excitante do filme.

Ela faz grande sucesso, mas a promessa de Alberto de criar um número em torno dela não chega a ser cumprida, para irritação de sua insistente mãe (Marilyn Dodds Frank).

O verdadeiro drama está contido no cotidiano da companhia. Altman, Turner e Campbell preferem deixar que a simples observação demonstre a batalha diária de cada dançarino para continuar a dar o melhor de si.

Ficamos surpresos ao ver Ry trabalhando como garçonete para pagar suas contas. Vemos como a carreira dos dançarinos fica sempre à disposição do decidido diretor da companhia.

O amor que Altman manifesta por este mundo corajoso é tão grande que passa por cima de seus lados mais sombrios. O impacto da Aids é mencionado apenas de passagem, e nada é dito sobre a batalha constante dos dançarinos para se manterem dentro do peso.

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