O prestígio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou às nuvens, segundo constatou pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada neste sábado. Segundo o estudo, o governo do político pernambucano chega a 76% de aprovação, nível recorde desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2003. Lula havia obtido taxa semelhante em março deste ano, mas houve um recuo para 73%, em abril. Os dados foram recolhidos nestas quinta e sexta-feiras, em 2.660 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais o para menos.
"O mais notável na popularidade presidencial é que a curva tem se mantido acima de 70% desde dezembro, quando o país soube que a economia já estava em franca recuperação após a crise financeira internacional", constata o diário paulistano Folha de S. Paulo, proprietário do Datafolha.
Se forem somados os 76% que avaliam o governo Lula como "bom" ou "ótimo" aos outros 19% que o apontam como "regular", a gestão do presidente chega a impressionantes 95% de aceitação. Apenas 5% classificam a gestão petista como "ruim" ou "péssima", enquanto somente 1% diz não saber responder. "O recorde foi captado pelo Datafolha numa semana em que o petista esteve fora do país. Lula foi ao Oriente Médio e anunciou junto com a Turquia acordo com o Irã visando diminuir a tensão na região", diz a Folha.
Ainda segundo o jornal, Lula é o presidente mais bem avaliado desde o fim da ditadura. De acordo com histórico da pesquisa, Fernando Collor (1990-1992) teve máxima de 36%. Fernando Henrique Cardoso (1995-2001) chegou a 47%. Lula obteve agora sua melhor nota, de zero a dez. Desta vez, a nota foi 8,0, nunca antes registrada em pesquisa semelhante – havia sido 7,9 em abril. No auge do escândalo do mensalão, em 2005, a média de Lula chegou a cair para 5,4.
Dilma cresce
Ainda no estudo, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, também atingiu sua melhor marca até hoje numa pesquisa Datafolha e está empatada com José Serra (PSDB). Ambos estão com 37%. Marina Silva (PV) aparece com 12%. Os que votam em branco, nulo ou em nenhum somam 5%. Indecisos são 9%. "Na comparação com a última pesquisa Datafolha, realizada em 15 e 16 de abril, Dilma teve uma alta de sete pontos percentuais --de 30% para 37%. Já Serra caiu cinco pontos, saindo de 42% para os mesmos 37%", constata o diário.
– O principal fato que pode ser apontado como responsável por essa alta da candidata é o programa partidário de TV que o PT apresentou recentemente – diz aos jornalistas Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha.
"Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não são apresentados a uma lista com os nomes dos candidatos, a curva da intenção de voto de Dilma continuou a descrever uma sólida curva ascendente", revela a pesquisa. Ela detinha 8% em dezembro. Em abril, chegava a 13% e se isolou em primeiro lugar na última verificação, com 19%. José Serra pontuou 14% e a curva do gráfico mostra que ele também vem subindo nesse quesito, mas em ritmo mais lento. Ainda na pesquisa espontânea, há também 5% que dizem ter intenção de votar em Lula, que não pode ser candidato.
Outros 3% declarar querer votar no "candidato do Lula". E 1% respondem "no PT" ou no "candidato do PT". "Em tese, portanto, o potencial de voto espontâneo em Dilma pode ser de 28%, os seus 19% e mais outros 9% dos que desejam votar em Lula, em quem ele indicar ou em um nome apresentado pelo PT", constata o estudo.
Rejeição
Quando são colocados na lista de candidatos os concorrentes de partidos pequenos, o cenário não se altera muito. Dilma e Serra continuam empatados, cada um com 36%. Marina tem 10%. E só dois nanicos pontuam: José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria (PSTU). Dilma também colheu bom resultado na rejeição: seu índice caiu de 24% para 20% enquanto o de Serra subiu de 24% para 27%. Marina também teve um resultado positivo, pois sua rejeição caiu de 20% para 14%.
"Na projeção de segundo turno, os dois estão tecnicamente empatados: a petista tem 46% contra 45% do tucano. Em abril, Serra aparecia dez pontos à frente da petista nesse quesito, com 50% a 40%", conclui.