O banqueiro Daniel Dantas, que teve a maior parte de seus bens bloqueada por determinação judicial, após as investigações da Operação Satiagraha, está 'queimando', por preços muito inferiores ao que valem na realidade, fazendas e objetos pessoais para sustentar os custos de sua defesa e o alto estilo de vida que mantém. Segundo fontes ligadas à Justiça do Rio de Janeiro, Dantas já teria vendido uma fazenda no interior da Bahia e algumas obras de arte. Parte de suas terras na Região Norte, no entanto, enfrenta a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a grilagem de vizinhos e especuladores.
Nesta quarta-feira, o trator retirado da fazenda administrada pela Agropecuária Santa Bárbara, em Eldorado do Carajás (PA), poderá ser reintegrado ao patrimônio do banqueiro, caso seja cumprida uma ordem judicial expedida pela Justiça local. Um grupo de trabalhadores rurais sem-terra, na segunda-feira, teria levado um trator da propriedade ligada ao grupo Opportunity, de Daniel Dantas. A fazenda Maria Bonita, ocupada há quase um ano pelo MST, foi palco de atos de violência por parte das milícias arregimentadas por Dantas, nos quais três lavradores foram baleados por seguranças da empresa, neste sábado. Os seguranças alegaram estar impedindo um furto de gado da propriedade.
Segundo a polícia teria apurado, o trator foi levado quando transportava filhos de funcionários para a estrada, onde pegariam um ônibus para a escola. O delegado Alberone Lobato afirmou aos jornalistas que o grupo de sem-terra levou o veículo de carga em protesto contra os tiros de sábado será devolvido nas próximas horas.