Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Dantas, em depoimento à CPI, disse que não contratou serviço de espionagem

Quinta, 16 de Abril de 2009 às 09:44, por: CdB

O banqueiro Daniel Dantas negou, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara (CPI dos grampos), que tenha contratado diretamente a empresa Kroll, multinacional acusada ter feito escutas ilegais no Brasil. Dantas afirmou, no entanto, que a empresa BrasilTelecom, do qual ele era sócio e participava da administração, contratou a Kroll em duas ocasiões.

Segundo ele, a BrasilTelecom usou os serviços da Kroll para “se proteger” de espionagem empresarial comandada, segundo Dantas, pela TelecomItalia na disputa de licitações do setor de telefonia no Brasil.

– O objetivo (da contratação da Kroll) era recolher provas para instrumentar a BrasilTecom para mover uma ação indenizatória contra a TelecomItalia – disse Dantas.

Com mais de uma hora de depoimento, o empresário ainda não havia sido questionado sobre a Operação Satiagraha, na qual ele foi preso e culminou em sua condenação por tentativa de suborno.

Perguntado pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), se ele concordava em compartilhar com a comissão dados sigilosos da Operação Chacal, da Polícia Federal que apreendeu documentos na sede do Oportunity, Dantas respondeu que não sentia confiança em compartilhar tais informações.

– Se tivesse segurança de que a eles não vazariam, até concordaria. Mas, não me sinto seguro – afirmou Dantas. Com a resposta, Itagiba disse que ele estava desrespeitando a CPI.

Daniel Dantas negou ainda que tenha ordenado o grampo contra o Paulo Marinho e Nelson Tenure e que tenha tinha relações com o espião irlandês Avner Shemesh.O banqueiro alegou que Marinho teria trabalhado, ao mesmo tempo, para ele e para seus concorrentes, por isso a suspeita de que ele, Dantas, teria motivos para grampear Marinho.

– O senhor Paulo Marinho sabe que não foi eu quem fiz o grampo. Ele sabe quem fez – garante Dantas

Protegido

Protegido por um habeas corpus preventivo, concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, o do dono do banco Oportunity não pode ser preso durante o depoimento. Ele se reservou o direito de ficar calado diante de perguntas que possam incriminá-lo e ainda ter acesso a todas as provas produzidas contra ele pela CPI.

Principal alvo da Operação Satiagraha, comandada pelo delegado afastado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, Dantas prestou depoimento à CPI do Grampo pela segunda vez. Na primeira, ainda no ano passado, o empresário também esteve protegido por habeas corpus. Condenado pela Justiça Federal em São Paulo por tentativa de suborno, Daniel Dantas está sendo processado por evasão de divisas e também é suspeito de ter patrocinado escutas telefônicas ilegais de interesse do Oportunity.

Na semana passada, Protógenes afirmou, em depoimento à CPI, que durante as investigações da Satiagraha encontrou indícios de que Dantas tentou cooptar várias autoridades, inclusive, com o pagamento de suborno a integrantes do Congresso Nacional.

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