Acusado pela senadora petista Ideli Salvatti de ser "o maior corruptor da história brasileira", o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, afirmou nesta quarta-feira aos integrantes das CPIs dos Correios e do Mensalão que existiu pressão política por parte dos fundos de pensão sobre as questões envolvendo operadoras de telefonia, como a Brasil Telecom, empresa em que são sócios e travam verdadeira batalha jurídica com outros controladores. Dantas fez histórico sobre as pendengas e afirmou que seu relacionamento com a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, piorou em 2000, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando houve desentendimentos sobre a compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) pela BrT.
Segundo o empresário, o Opportunity defendia preço cerca de 200 milhões de dólares a menos do que os fundos e a Telecom Itália --outra sócia da Brasil Telecom --fecharam com a Telefônica, então controladora da CRT, de 800 milhões de dólares.
- As pressões começaram, inclusive dos fundos. Naquele momento, a pressão basicamente era da Previ - afirmou o empresário, acrescentando que o Ministério das Comunicações, então chefiado por Pimenta da Veiga, também atuava na questão.
Dantas não deu muitos detalhes sobre possíveis motivos reais que levaram ao negócio, mas que os fundos teriam, na época, considerado a compra da CRT mais "estratégica" para o negócio da Brasil Telecom.
Hoje, o controle acionário da terceira maior operadora do país está sendo disputado, por um lado, pelo Citigroup e os fundos de pensão e, de outro, pelo Opportunity e Telecom Italia. A Brasil Telecom atende as regiões Sul, Centro-Oeste e os Estados do Acre, Rondônia e Tocantins, cobrindo 33 por cento do país.
O empresário, que depõe desde às 10h30 sob a proteção de habeas corpus que lhe permite ficar calado, também afirmou ter recebido pressão do ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para abrir mão de seus direitos na operadora. O recado teria vindo por intermédio do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu que, em um segundo momento, mudou de posição e teria garantido que o governo não interferiria mais no assunto.
Resguardo
Parlamentares da base governista e da oposição avaliam que, até agora, Dantas não trouxe nenhuma informação nova ou suficientemente forte. O sentimento é de que ele está se resguardando ao máximo.
- Eu não esperava muita coisa, não. O depoimento não trouxe nenhuma surpresa até agora e está muito focado na época da privatização da Telebrás (1998) - afirmou o deputado Eduardo Paes (PSDB-PR).
Dantas negou que tenha solicitado ao empresário Marcos Valério de Souza, apontado como um dos principais articuladores do suposto esquema de mensalão, qualquer interferência dentro do governo de Lula. O banqueiro disse que conheceu Valério em São Paulo, sem precisar data, e conversou com ele sobre campanhas publicitárias da operadora de celular da Brasil Telecom.
A DNA, agência de propaganda de Valério, acrescentou Dantas, trabalha para a Telemig Celular e para a Amazônia Celular desde 1998. Ele negou conhecer que qualquer pagamento feito à agência tenha sido usado no mensalão.
- Não há um só centavo que tenha sido pago e não tenha ido para publicidade - afirmou Dantas.
Baixaria
O depoimento de Daniel Dantas foi suspenso por cerca de 15 minutos, após uma discussão acalorada entre parlamentares. O bate-boca começou a partir da intervenção do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), em resposta às declarações da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que acusou o banqueiro Dantas de manter relações com integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, citando sua antiga sociedade com Pérsio Arida, um dos principais idealizadores do Plano Real, e a suposta sociedade da irmã do empresário, Verônica Dantas, com