O dono do Banco OPP (ex-Opportunity), Daniel Dantas, chegou na manhã desta quinta-feira à sede da 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo, para depor nos processos a que responde por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Dantas e seu assessor, Humberto Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) na noite passada, estarão novamente diante do juiz Fausto De Sanctis, que acompanhar os depoimentos dos delegados da Polícia Federal Protógenes Queiroz e Victor Hugo Rodrigues Ferreira, responsáveis pela Operação Satiagraha, e do escrivão Amadeu Ranieri.
Ao chegar, Dantas falou brevemente com os jornalistas e disse acreditar que o delegado Protógenes “tem um objetivo que não é pessoal”. Perguntado sobre qual seria esse objetivo, Dantas respondeu:
– Ele quer criar dificuldades.
O advogado de Dantas, Nélio Machado, adiantou que seu cliente tem orientação para se manter calado novamente, como fez em todos os seus depoimentos na polícia e na Justiça, embora tenha falado na CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira.
Na CPI
Na véspera, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara, Dantas se disse perseguido por “facções do governo”, que teriam interesse no controle da Brasil Telecom.
– Em 2002, fui avisado que o novo governo iria entrar em guerra contra mim. Depois eu percebei que não era o governo, mas facções do governo, que teriam interesse em manter o controle da Brasil Telecom – disse o banqueiro.
Dantas citou o nome de três petistas que fariam parte dessa facção: O ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu; o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que atualmente exerce mandato de deputado federal; e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Luiz Gushiken.
– Identifico o ex-ministro Gushiken e seus colaboradores, Dirceu e Palocci – disse Daniel Dantas aos membros da CPI.
Abin quer falar
Diante das acusações de Dantas, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) se pronunciou, em nota, na qual afirma que seu diretor geral Paulo Lacerda “quer responder às acusações infundadas” feitas contra o órgão pelo ex-banqueiro Daniel Dantas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados.
De acordo com a Abin, na tarde desta quarta-feira Paulo Lacerda fez chegar à CPI documento solicitando sua convocação para prestar depoimento sobre a questão. O banqueiro Daniel Dantas disse, na comissão, que a Operação Satiagraha, realizada pela Polícia Federal, ocorreu devido a articulações que teriam sido feitas pelo atual diretor-geral Abin, Paulo Lacerda.
Segundo Dantas, Lacerda teria direcionado as investigações contra ele, em represália à divulgação de informações de que o diretor da Abin teria contas irregulares no exterior, ainda à época em que era diretor-geral da Polícia Federal. A informação foi prestada pela assessoria de imprensa da Abin, que, mais cedo, havia informado que a agência não se manifestaria sobre as declarações do banqueiro Daniel Dantas na CPI.