Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Da Liberdade de Expressão (ou como ofender pessoas tendo imunidade parlamentar)

Quarta, 29 de Junho de 2011 às 22:51, por: CdB

Por http://www.povobunda.com.br/2011/06/da-liberd 30/06/2011 às 03:36

PovoBunda Comenta o caso do arquivamento do processo contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e como essas atitudes vindas dos nossos representantes incitam o ódio e o preconceito.

Antigamente era a licença poética. Depois que a inventaram, nenhuma palavra ou afirmação é absurda quando ela é evocada. É de baixo calão? É sem noção ou o mínimo de bom senso? Licença poética neles!

Tenho percebido que o mesmo acontece atualmente com a tal ?Liberdade de Expressão?. ?Se eu quiser lhe xingar, eu xingo. Se eu quiser lhe ofender, eu ofendo. Se eu quiser mostrar meu c* em praça pública, eu mostro. Afinal, é a minha forma de dizer para você ou para o mundo que estou insatisfeito, que não gosto da sua atitude, que repudio o seu gosto pelo que é diferente do meu ou qualquer outra coisa que me dê na telha. Afinal, eu tenho uma opinião.?

Eh, caros amigos? É muita Cláudia para pouco assento. Depois da licença poética e da liberdade de expressão, tudo é permitido. Se você foi eleito por voto popular então.

Esta quarta feira, dia 29 de junho de 2011, foi um dia lamentável para a democracia brasileira: o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados mandou arquivar um processo protocolado pelo PSOL contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). A ação dava conta de declarações preconceituosas do parlamentar contra negros e homossexuais proferidas na ocasião de um debate sobre a lei que criminaliza a homofobia. O veredicto: o deputado estava exercendo seu direito à livre expressão, segundo a Constituição. Ou seja: Jair poderá ofender a quem quiser, pois a lei lhe GARANTE o direito de. Com imunidade parlamentar e tudo.

Não bastasse o descaso por uma decisão tão arbitrária, incoerente e de estímulo ao preconceito, ainda houve aqueles que acharam pouco e reproduziram o discurso. Tal pai, tal filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (também do PP carioca) soltou essa pérola em seu Twitter:

"ChuUuuUupa viadada! Bolsonaro absolvido! Viva a Liberdade d Expressão! Parabéns Brasil!" (sic)

Diante dos comentários contrários e de repulsa à cria do deputado em questão, continuaram os disparos:

"Atenção Boiolas, p/ a infelicidade de vcs, eu sou hétero!" (sic)

É difícil constatar o resultado dessa tal liberdade: somente no ano de 2010, cerca de 260 homossexuais femininos e masculinos foram vítimas de crimes de ódio no Brasil, segundo dados do Grupo Gay da Bahia. É essa tal liberdade em nome de Deus, da moral e dos bons costumes que vêm incitando a desigualdade e a perversão, como se o homossexualismo fosse alguma monstruosidade. A tal liberdade que ensina crianças a serem adultos regidos pela Lei do Medo e da Coerção em respeito a um todo poderoso que, sinceramente, não deve estar preocupado se uma mulher gosta de mulher ou homem sente desejo por outro. Afinal o amor, o sentimento e o desejo mais puro é independe do sexo. Na verdade, Deus não deve estar nem aí para nada. Só que cada um seja feliz respeitando o outro. E olhe lá.

"Seu direito começa onde termina o meu."

Esse ditado popular nunca soou tão falso para mim. Ou para a sociedade. Ou para a nossa Constituição.

CHUPA BRASIL!

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