Mocinhos, vilões, drama, romance e comédia são ingredientes básicos em qualquer telenovela, desde que essa "mania" nacional - e internacional - foi inventada. Mas poucas tramas fora do horário das oito conseguiram uma audiência tão surpreendente quanto "Da Cor do Pecado". Resultado de uma fórmula simples combinada com idéias novas como uma mocinha nada submissa, um amor sem apelações e a primeira protagonista negra da Rede Globo.
A novela, que estreou em 26 de janeiro na Rede Globo, está rendendo ao canal um retorno que não se via em quase uma década. Na primeira semana de março, a média do Ibope atingida pela trama foi de 44 pontos. "Celebridade", novela das oito e prato principal do menu da casa, teve média de 46 pontos no mesmo período.
Se a comparação for feita com as últimas novelas exibidas no mesmo horário, segundo dados do Ibope, a audiência média de "Da Cor do Pecado" em seus primeiros 40 capítulos ultrapassa a média total das tramas anteriores: "Kubanacan", "Desejos de Mulher", "Uga-Uga" e "As Filhas da Mãe".
O fio condutor de "Da Cor do Pecado" não poderia ser mais simples. Uma história de amor, uma mulher cega pelo dinheiro, o preconceito racial e uma mãe controladora. Mas João Emanuel Carneiro, autor estreante, conseguiu lapidar esses elementos para criar uma história que conquistou o público.
O amor avassalador entre o botânico milionário Paco Lambertini (Reynaldo Gianecchini) e a vendedora de ervas medicinais Preta (Taís Araújo) poderia ser igual às dezenas de romances das novelas. Mas Emanuel conseguiu "apimentar" essa relação com elementos simples, mas muito eficazes.
O relacionamento de Paco e Preta não precisou de apelações para cativar o público. Sem exagerar das cenas de cama e usando como cenário a bela paisagem do Maranhão, autor e direção conseguiram fazer com que os telespectadores se apaixonassem pelo casal. Quem nunca sonhou em rolar com o amado por aquelas dunas paradisíacas?
Preta, de Taís Araújo, também não é uma típica mocinha de novela. Apesar do caráter íntegro, da justiça e da doçura, ela é boa de briga. Não abaixa a cabeça por ser negra, pobre e ter passado por muitos perrengues na vida. Orgulhosa, não hesita em bater de frente com o poderoso Afonso Lambertini (Lima Duarte) e com a megera Bárbara (Giovanna Antonelli) todas as vezes que é "cutucada".
Em um raro intervalo entre as gravações, a protagonista da novela deu sua versão sobre o sucesso, que por mais que desejasse, não tinha idéia de que aconteceria. "Essa novela é muito simples. Não tem nada das últimas tramas mirabolantes que foram ao ar nos últimos anos. O público gosta de ver a mocinha, a vilã... O povo estava carente desse tipo de novelão, romance, olho no olho, a pobrezinha que tem de vencer a vilã para ficar com seu príncipe", disse Taís.
A intérprete da primeira personagem negra que protagoniza uma novela na Rede Globo chama a atenção para o autor e seus colaboradores. "Quando li minhas primeiras cenas e vi que a Preta já começava dando um beijo no Paco e no segundo capítulo estava dizendo 'eu te amo' fiquei assustada! Mas o João [Emanuel Carneiro] escreve muito bem. Acho que por ser sua primeira novela ele estava com sede de mostrar seu trabalho, com gana de fazer bem feito, além de não estar cansado", afirma.
Taís também alerta para a direção e a edição dos capítulos que, por mais rápidas que sejam, não deixam os telespectadores perdidos. "A direção é ágil e a edição rápida. Nos capítulos, a trama muda do Rio de Janeiro para o Maranhão e agiliza e te localiza. Você não se perde e o recurso é divertidinho".
A atriz dá mais uma pista para que se entenda esse sucesso quando salienta que, além de drama e romance, há muita comédia dividida em vários núcleos.
Talvez o principal seja o da 'Família Sardinha". Os lutadores atrapalhados Thor (Cauã Reymond), Dionísio (Pedro Neschiling), Apolo (também interpretado por Reynaldo Gianecchini) e Ulisses (L