Da capilaridade material à imaterialidade dos territórios
Por Adair Rocha - Como gestor público de cultura no tempo em que Lula esteve junto com o Brasil, sendo seu presidente, orgulha-me ter participado do processo de republicanização, que teve na cultura um de seus principais recortes de cidadania e de democracia, como conquista política da população brasileira.
Como gestor público de cultura no tempo em que Lula esteve junto com o Brasil, sendo seu presidente, orgulha-me ter participado do processo de republicanização, que teve na cultura um de seus principais recortes de cidadania e de democracia, como conquista política da população brasileira. Ainda é preciso salientar o legado de ampliação conceitual e programático que só a participação da diversidade intelectual, política e religiosa, na sua pluralidade, pode conquistar. E isso se deu, ao tempo em que inspirou o reordenamento estrutural e político do Ministério da Cultura (MinC).
Esse processo evidenciou, na prática, que a política pública somente pode dar certo (ou acontecer), se houver, de fato, participação da população. No nosso caso, desde as culturas tradicionais às linguagens clássicas ou contemporâneas, estabeleceu-se o ele entre a implementação programática do Cultura Viva, do Mais Cultura, da abordagem Patrimonial, Museal, Audiovisual, entre outras.
Editais, prêmios e mecenato vêm colocar em cena a necessidade de mudanças e adaptações nas regulações, como na Lei Rouanet, no Direito Autoral, com plano e sistema nacionais, bem como definições orçamentárias que sustentem a gestão territorial, exigida pela ampliação do acesso da descentralização democrática. A gestão pública tem nomes, sobretudo quando eles fortalecem e se identificam com o caráter público, histórico e democrático do processo em curso. Por isso o presidente Lula, os ministros Gilberto Gil e Juca Ferreira, o agora ministro Gilberto Carvalho [entre tantos(as) outros e outras], destacam-se pelo selo de compromisso com o Brasil, como projeto, em ação, de nação em desenvolvimento.
A passagem pelo poder público e sua gestão, no processo democrático, confronta instituição e sociedade, de forma sempre desafiadora, no jogo da diferença que elege o plural. Por isso, ao me dirigir a todos(as) que povoam o cotidiano do MinC, não posso nomear alguém, seja pela falta de espaço, são tantos(as), ou pela imaterialidade do comum. Assim, desde quem sempre serviu o cafezinho "pingado", aos servidores que são os sujeitos de toda a gestão, incluindo os três níveis territoriais: município, Estado e União. Os artistas das mais diversas linguagens que compõem o conserto da política pública de cultura, na dedicação e cumplicidade também cotidiana. E a todos os Pontos de Cultura, dos cineclubes e os transeuntes do fomento e do incentivo, que se congratulam na potencialidade de tantos quantos dão sentido à vida e, portanto, fazem cultura, seja no centro ou no entorno, quando toda a sociedade se reporta à cidadania.
Às presidenta Dilma e ministra Anna, o augúrio do acento da esperança, e na consequente utopia democrática.
Adair Rochaé professor adjunto do Departamento do Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeirio (PUC-RJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cultura.
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