Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

D. Demétrio: 'Sede expertos como as serpentes'

Terça, 04 de Outubro de 2005 às 20:06, por: CdB

Em entrevista concedida nesta terça-feira à publicação do Instituto Cultiva, uma organização não-governamental, criada em 2002, para atuar em políticas públicas, com ênfase na área social e em gestão  participativa, o bispo diocesano de Jales, interior de São Paulo, ex-membro da Comissão Episcopal de Pastoral da Conferência Nacional de Bispos Brasileiros (CNBB) e coordenador da IV Semana Social Brasileira, relata os preparativos a convocação de um novo concílio e analisa o governo Lula.

- A Igreja Católica, em especial, as pastorais sociais, vem se movimentando para tomar iniciativas políticas e sociais importantes. Uma delas é a Assembléia Popular "Mutirão por um Novo Brasil", que ocorrerá entre 25 e 28 de outubro, aqui em Brasília. Seria possível detalhar do que se trata e qual objetivo a ser alcançado por esta assembléia e a IV Semana Social?

- Esperamos que se torne um acontecimento com ampla repercussão, sobretudo junto à cidadania, em especial junto aos movimentos sociais, como resposta positiva diante da crise política que as denúncias de corrupção desencadearam no Brasil. Já estava marcado, para outubro, o "momento nacional", no processo da Quarta Semana Social Brasileira. A novidade, provocada pela crise, foi a pronta adesão de diversos movimentos, para reforçar este "momento", e fazer dele uma "assembléia popular", com vistas a unir forças, para retomar a mobilização e a articulação da cidadania, na disposição de desenhar um projeto de país, capaz de motivar a ação integrada das diferentes forças populares, recuperando a esperança concretizar progressivamente a utopia de um Brasil "politicamente democrático, economicamente justo, socialmente solidário, culturalmente plural, ecologicamente sustentável e religiosamente macro-ecumênico", como já tinham intuído as Semanas Sociais anteriores. Para a realização desta "Assembléia Popular:  Mutirão por um novo Brasil", foi fundamental a decisão de juntar, sobretudo, dois processos em andamento, o da Quarta Semana Social Brasileira, que vinha propondo  o "mutirão", e o Jubileu Sul/Brasil, que vinha realizando suas "assembléias populares". Esta decisão reforçou a disposição dos outros movimentos de se juntarem no mesmo evento, conferindo-lhe um peso político mais consistente, e garantindo-lhe, de fato, o caráter de plataforma comum, onde se costure as convergências básicas para a compreensão dos desafios a serem enfrentados, a mobilização a ser feita, e as bandeiras de luta a serem assumidas. Este processo espera tirar deste momento de crise as salutares lições que a experiência está ensinando, sobretudo a importância de construirmos mediações práticas, capazes de lentamente concretizar nossas utopias. Outra constatação que vai emergindo é a urgência de acionarmos a democracia direta, através de mecanismos de consulta popular, que a própria Constituinte de 1988 previu mas que ainda não foram regulamentados. Como meta final da "Assembléia Popular:  Mutirão por um novo Brasil",  espera-se tirar um elenco de "bandeiras de luta",  que mantenham mobilizados os movimentos sociais, numa espécie de "assembléia popular permanente",  que sustente a articulação da cidadania em torno de grandes causas mobilizadoras, para a construção do "Brasil que queremos".

- Um movimento ainda não muito visível na América Latina, que pleiteia a convocação de um novo Concílio (apoiado, inclusive, por D. Pedro Casaldáliga) está tomando corpo e procurando articular muitos teólogos. Como o senhor analisa essa movimentação e outras iniciativas de atualização de uma teologia mais engajada socialmente (como a que se esboça na Ásia, articulando princípios da Teologia da Libertação e aspectos culturais e espirituais). Em suma: o que há de novidade que se esboça no interior da Igreja Católica?

- Já se passaram quarenta anos da conclusão do Concílio Vaticano Segundo, realizado de 11 de outubro de 1962 a 08 de dezembro de 1965. El

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