Os traficantes Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar - considerado um dos maiores traficantes de drogas da América Latina -, acompanhado de Marcinho dos Santos, o Marcinho vp, Charles Silva Batista e Fernando Ignáccio estão de volta ao Rio. Eles foram conduzidos à sede da Polícia Federal do Rio, na manhã desta segunda-feira, por volta de 8h em um avião fretado que pousou no Aeroporto Santos Dumont. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio, Marcinho VP e Charles Batista participam de uma audiência nesta terça, às 13h, no 2º Tribunal do Júri, no Centro da cidade.
O marginal Fernando Ignáccio também tem uma audiência marcada para esta terça no mesmo local, mas o horário ainda não foi confirmado. Ainda não há informações sobre audiências envolvendo o traficante Beira-Mar. Agentes federais do Rio realizam a escolta dos bandidos.
Vida de crimes
Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, é acusado de furtar armas pesadas do Exército e de vendê-las para traficantes do Rio. Aos 20 anos, foi preso por assalto e condenado a dois anos. Cumpriu a pena e, ao sair, voltou a morar na Favela Beira-Mar, onde se tornou um dos “cabeças” do tráfico local. A ascensão de Beira-Mar ocorreu entre 1990 e 1995, quando abriu canais próprios de distribuição de drogas e conquistou morros como Borel, Rocinha, Chapéu Mangueira e a Favela do Vidigal. Preso em 1996, não ficou nem um ano no presídio de Belo Horizonte. Agentes penitenciários foram acusados de ter facilitado a fuga dele.
O traficante montou gigantesco esquema de lavagem de dinheiro no maior banco federal estatal do país e teria morado no Paraguai, Uruguai, Bolívia e Colômbia, onde se aliou às FARC-Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Foi recapturado pelo exército colombiano, em atuação conjunta com agentes norte-americanos e repatriado para o Brasil em abril de 2001.
Em 2002, preso em Bangu I, organizou rebelião com a finalidade de matar Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, e outras lideranças do Terceiro Comando, uma das principais organizações rivais do Comando Vermelho. A rebelião foi uma vergonhosa demonstração da impotência dos orgãos de segurança brasileiros em relação à ação dos grupos do crime organizado.
Nos últimos três anos (2003 a 2006), Fernandinho Beira-Mar vem sendo transferido constantemente de presídio e mantido em rigoroso isolamento, tendo em vista a elevada periculosidade.