Rio de Janeiro, 09 de Janeiro de 2026

CVM busca quem comprou ações da Ipiranga

Terça, 20 de Março de 2007 às 09:38, por: CdB

A Comissão de Valores Mobiliários iniciou, nesta terça-feira, a investigação sobre o uso de informações privilegiadas nas operações com ações da Ipiranga, na última sexta-feira, antes do anúncio da venda da empresa. O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) encaminhou requerimento à Comissão perguntando quem comprou os dois mil lotes de 900 ações da Ipiranga Distribuidora na véspera da venda do grupo para a Petrobras, Braskem e Ultra.
       
O intenso movimento de compra das ações pode sinalizar a ocorrência de uso de informação privilegiada. No dia 6 de fevereiro foram negociados na Bolsa de Valores de São Paulo 100 lotes de ações da Ipiranga Distribuidora a R$ 35,00. Na terça-feira da semana passada, foram vendidos 900 lotes de ações a R$ 40,00. No dia seguinte, mais 900 lotes a R$ 45,00. Na sexta-feira, 6 mil lotes a R$ 60,00.
 
- Há indícios fortíssimos de que houve uso de informações privilegiadas nas operações com papéis da Ipiranga. - disse Marcelo Trindade, presidente da CVM.
      
Segundo Elizabeth Machado, superintendente da área de acompanhamento de mercado da CVM, o que chamou a atenção foram as oscilações de dois papéis no pregão de sexta-feira. A ação ordinária da Distribuidora Ipiranga valorizou 33,33% no dia e a ação ordinária da Refinaria Ipiranga, oscilou 8,31% no mesmo dia.
      
No mesmo pregão, a ação preferencial da Distribuidora havia subido somente 2,72%, enquanto a ação preferencial da Refinaria havia valorizado 2,61%. A operação de compra do Ipiranga prevê o pagamento de um "tag along" (extensão do prêmio de controle a minoritários) da ordem de R$ 771 milhões para os detentores de ações ordinárias das empresas de capital aberto do grupo Ipiranga.
      
A CVM está identificando os envolvidos nas operações, já enviou pedidos de informações tanto para a Ipiranga quanto para as empresas envolvidas e também já solicitou informações para a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Se confirmado o uso de informação privilegiada, a comissão abrirá um inquérito administrativo para apontar quem lucrou com a operação. De acordo com a superintendente, não há prazo para o encerramento da investigação.

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