A CVC, maior operadora de pacotes turísticos do país, comprou a companhia aérea Webjet por cerca de R$ 45 milhões. A operadora quer, assim, reduzir sua dependência por vôos de companhias aéreas regulares. Atualmente, sua principal fornecedora é a TAM.
A CVC fechou a aquisição de 100% das ações da Webjet na última segunda-feira. Até então, a companhia aérea era controlada pelos empresários Jacob Barata Filho e Wagner Abrahão, cada um com 32,5% e 46,3% das ações, respectivamente, e por um fundo capitaneado por Mauro Molchansky, que detinha o restante do capital.
Na quinta-feira, a operadora de viagens negou tanto a compra da Webjet quanto o interesse por adquirir a empresa. Ela confirmou apenas ter fechado um acordo para fretar os aviões da companhia aérea no período em que eles estão ociosos. No entanto, fontes do mercado, incluindo pessoas ligadas à Webjet, confirmaram ao jornal Valor Econômico a aquisição.
O movimento da CVC não se justifica pelos ativos da Webjet, e sim pela avaliação da operadora de que seria mais fácil comprar uma empresa que já existe do que erguer uma companhia aérea do zero. Hoje, a Webjet tem perto de 0,5% do mercado doméstico e opera com dois aviões alugados, do modelo 737-300, da Boeing. A empresa voa em rotas de importância secundária, que ligam as capitais Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Os sócios da Webjet, que foi criada em 2005, vinham buscando um parceiro que pudesse financiar a operação da companhia e a incorporação de mais aeronaves. O plano era alcançar uma frota de seis aviões até o fim do ano. As conversas com a operadora turística teriam começado há dois meses.
A CVC busca ter uma operação de vôos própria e assim diminuir sua dependência das companhias aéreas regulares. Em 2006, boa parte dos seus 1,5 milhão de clientes viajou de avião, o que significa dizer que a CVC respondeu por cerca de 3% do volume de passageiros no país. Diversas operadoras de viagens no mundo todo possuem companhias aéreas.
A CVC já teve planos de criar sua companhia aérea do zero - o nome provisório era Samba - e chegou a obter autorização para pôr o projeto em prática em 2005. Há alguns meses, porém, ela vinha afirmando que o projeto estava parado porque as companhias aéreas regulares tinham assentos para fretamento em número suficiente.