Por jornal da cidade 06/07/2011 às 23:40
fonte:
http://www.jornalacidade.com.br/editorias/cidades/2011/07/05/confronto-marca-reintegracao-de-posse-na-favela-da-familia.html
Os policiais militares usaram a cavalaria, cães treinados, balas de borracha e bombas de efeito moral para desocupar a área no Jardim Aeroporto
Cerca de 200 famílias resistiram a uma reintegração de posse na Favela da Família, no Jardim Aeroporto, na manhã desta terça-feira, e a Polícia Militar invadiu a área por volta das 8h30 e retirou as pessoas à força. Os policiais usaram a cavalaria, cães treinados, balas de borracha e bombas de efeito moral. O helicóptero Águia acompanhou a ação.
Os barracos foram sendo demolidos com a ajuda de máquinas, enquanto alguns moradores tentavam salvar móveis e pertences. No entanto, muitas famílias perderam bens.
A área é de uma empresa particular e no local já foi autorizado um loteamento. O terreno começou a ser invadido em fevereiro deste ano. No início eram sete famílias, que se transformaram em 200, sendo 700 pessoas no total. Das 200 famílias, 42 são oriundas da Favela Itápolis, também na região do aeroporto, e desapropriada em março deste ano.
Segundo a polícia, com a liminar judicial para a reintegração de posse, as negociações começaram às 6h desta terça-feira, para que as famílias deixassem a área amigavelmente. Por volta das 8h, os moradores sinalizaram com a possibilidade de sair do local, mas sem ter para onde ir, recuaram da ideia e decidiram permanecer no terreno.
Para evitar a entrada da Polícia, os sem-teto formaram uma barreira na entrada da favela com madeira, materiais recicláveis, pneus e atearam fogo. Mas não adiantou.
Diante da resistência, a polícia optou por invadir a área, pelos fundos, usando a cavalaria, cães treinados, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Máquinas iniciaram a demolição dos barracos imediatamente. Na sequência, alguns moradores tentaram retirar alguns móveis e pertences, mas nem todos conseguiram.
Policiais farão, ao longo do dia, resgate de objetos e móveis. Tudo o que for recolhido, será levado para um barracão na Via Norte, nº 2305, para coleta posterior dos proprietários.
Prefeitura
O juiz aposentado João Gandini acompanhou as negociações e entrou em contato com a secretária de Assistência Social, Maria Sodré, mas a prefeitura ofereceu como apoio o Cetrem para receber as famílias que quisessem abrigo, mas as famílias recusaram.
O líder das famílias sem-teto, Aldair Ribeiro da silva, 32 anos, disse que todos resistiriam até o último momento porque têm direito a moradia. "Queremos um local para ficar até que a Prefeitura encontre um local definitivo", disse.
Feridos
A Polícia Militar disse que não teve registro de feridos durante a ação, mas o líder dos sem-teto falou em nove feridos. A reportagem não conseguiu confirmar os feridos, mas o advogado Paulo Merli Franco, advogado e membro da Comissão de Direitos Humanos, afirmou que ficou ferido no dedo com uma bala de borracha. Ele disse que vai fazer um representação na corregedoria da Polícia Militar e no Ministério Público porque considera que a polícia foi intransigente.