Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Curador francês pede intervenção urgente no Masp

Terça, 22 de Janeiro de 2008 às 15:49, por: CdB

Representantes de museus e especialistas em arte europeus se dizem preocupados com a situação do Masp e pedem uma ação urgente do poder público para resolver a crise.
Curador-chefe no departamento de Artes Gráficas do Museu Louvre, Régis-Michel é enfático em sua opinião.

— A situação é catastrófica porque pode prejudicar a reputação das instituições culturais em São Paulo que são, com freqüência, dinâmicas e prestigiosas —, disse Michel em entrevista por e-mail à BBC Brasil.

— Está claro que apenas uma intervenção forte, determinada e urgente do poder público tem a possibilidade de salvar o museu, e há autoridades experientes nas administrações da cidade e do Estado de São Paulo —, defende o curador.

O nome de Régis-Michel está entre outros mais de 3 mil incluídos em uma petição reivindicando uma intervenção pública no Museu de Arte de São Paulo, que é uma instituição privada.
A petição é parte da campanha SOS Masp, de iniciativa do professor de História da Arte da Unicamp e ex-curador-chefe do museu Luiz Marques.

O documento propõe um modelo de gestão com responsabilidades compartilhadas entre o Estado e uma organização social autônoma.

Segurança

Para Régis-Michel, o roubo dos quadros de Picasso e Portinari (já recuperados) em dezembro passado é sintoma de problemas mais amplos.

Nenhum museu está seguro contra roubo, como vimos, por exemplo, na Áustria e na Noruega, onde obras importantes foram roubadas da forma mais incrível e felizmente recuperadas", disse o curador.

— No caso do Masp, parece que esses roubos são o sintoma mortal de uma decomposição geral que ocorreu em todos os aspectos de sua museografia e que têm óbvias e graves conseqüências para a conservação de suas coleções —, disse.
 
— Apenas isso já justifica a intervenção direta do poder público em nome do respeito básico pelo patrimônio nacional —, avalia Michel.

Parceria

O ex-secretário da Cultura de Florença e ex-diretor do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo, o professor Guido Clemente, e o diretor do Musée Picasso de Antibes, Jean-Louis Andral, também assinaram a petição.

Clemente diz que uma parceria público-privada seria a melhor solução para o Masp.

— Assinei (a petição) porque conheço o Brasil e o Masp é uma coisa maravilhosa, tem o maior acervo da América do Sul —, disse Clemente, em entrevista à BBC Brasil.

— A fórmula público-privada é o melhor modelo, a exemplo de experiências nos Estados Unidos —, disse.
 
Clemente afirma que ele próprio usou esse tipo de fórmula quando foi secretário da Cultura em Florença. Segundo o arranjo, o poder público cedia o prédio e um conselho privado administrava autonomamente o museu.

— Mas a prefeitura manteve o controle —, afirmou.
 
Jean Louis Andral – ex-curador do Musée d'Art Moderne, em Paris, e hoje diretor do Musée Picasso, em Antibes, na França – mencionou à BBC Brasil uma outra preocupação de instituições internacionais: a impossibilidade de fazer intercâmbios e parcerias com o Masp na conjuntura atual.

Andral diz que nos anos 90 fez intercâmbios desse tipo, mas avalia que essas parcerias não seriam possíveis hoje.

— Você tem de ter as condições para esse tipo de parceria, e eu realmente não sei se isso seria possível hoje —, disse.

O diretor do Musée Picasso afirma que apóia a campanha SOS Masp porque está preocupado.

— Esta coleção pertence a todo cidadão brasileiro e deve ser protegida —, afirmou.
 
Resposta

A BBC Brasil procurou a direção do Masp para uma entrevista, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem.

A direção do Masp, no entanto, publicou nota paga em jornais no último fim de semana em que diz ter "interesse na efetiva participação dos três níveis de g

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