O premiê israelense, Ariel Sharon, disse que ele e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, concordaram em coordenar a retirada israelense da Faixa de Gaza em um encontro na terça-feira. Mas autoridades palestinas descreveram as negociações como decepcionantes.
"Concordamos, durante o encontro, em coordenar plenamente nossa saída da Faixa de Gaza. Uma manobra coordenada garantirá uma saída pacífica, algo que é melhor para os dois lados", afirmou Sharon, repetindo declarações dadas pela secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, durante uma visita ao Oriente Médio.
Mas o premiê palestino Ahmed Qurie, que participou do que as autoridades descreveram como uma reunião tensa, disse: "Foi um encontro difícil, que não atendeu a nossas expectativas".
O premiê afirmou em uma entrevista coletiva realizada na Cisjordânia que Sharon não havia dado uma resposta positiva a questões levantadas pelos palestinos, entre as quais a reabertura do aeroporto da Faixa de Gaza e a libertação de mais palestinos das prisões israelenses.
Washington está contando com a retirada israelense da Faixa de Gaza para retomar o processo de paz conhecido como "mapa do caminho". O Estado judaico pretende fechar todos os seus 21 assentamentos da Faixa de Gaza e quatro dos 120 assentamentos da Cisjordânia.
Mas Sharon voltou a dizer que nenhum progresso poderia ser feito em direção a paz se a Autoridade Palestina, liderada por Abbas, não controlasse os militantes.
O premiê israelense disse que a Autoridade Palestina havia adotado "poucas medidas para prevenir ataques terroristas" e ameaçou responder com uma ação militar dura se militantes tentarem atrapalhar a retirada da Faixa de Gaza, prevista para a metade de agosto.
Em uma concessão feita a Abbas, Sharon ofereceu retirar suas forças das cidades palestinas de Belém e Qalqilya, na Cisjordânia, dentro de duas semanas. Mas condicionou a retirada à apresentação, pelos palestinos, de um plano de ação contra os militantes.
"Continuamos sofrendo baixas", afirmou o premiê a Abbas durante o encontro, que durou menos de duas horas.
A reunião foi a primeira entre o dirigente israelense e o presidente palestino em Jerusalém. Ela aconteceu um dia depois de palestinos armados terem matado um colono judeu na Cisjordânia e de soldados israelenses terem matado um civil palestino na Faixa de Gaza.
Abbas, eleito para substituir o presidente Yasser Arafat, morto em 2004, disse desejar negociar com os militantes e que uma ação violenta de repressão poderia detonar uma guerra civil entre os palestinos.
"Sinto como se o senhor estivesse nos punindo por causa do terror, como se eu fosse responsável pelo terror, como se eu realizasse os atentados", afirmou Abbas a Sharon, segundo uma autoridade israelense.
"O senhor não me concede nada por causa do terror e, ao fazer isso, o senhor está, em essência, me ferindo. O senhor me enfraquece agindo assim".
Poucas horas antes da cúpula, soldados israelenses prenderam 52 militantes da Jihad Islâmica na Cisjordânia.