Executivos e os acionistas do império midiático do magnata Rupert Murdoch estão sendo convocados, quando não presos, pelas autoridades britânicas. Rebekah Brooks, diretora-executiva do grupo News International, à época dos grampos encomendados pelo jornal News of the World, foi chamada a comparecer ao Parlamento britânico na próxima terça-feira. Rupert e o filho James também receberam a mesma convocação – mas por terem cidadania norte-americana – não são obrigados a se submeterem à convocação.
Já, segundo a BBC, A BBC Neil Wallis, ex-editor executivo do News of The World, foi preso hoje e foi interrogado em uma delegacia do Oeste de Londres. Ele é o nono preso nas investigações sobre escutas ilegais do grupo de Murdoch, desde janeiro.
No cerne das investigações estão grampos ilegais que invadiram a privacidade de cerca de 3 mil pessoas, entre as quais o ex-premier britânico, Gordon Brown, e a família de Jean Charles de Menezes, brasileiro morto por engano pela Scotland Yard, em 2005.
Transação desfeita
O ambiente está tão tenso, que Murdoch desistiu oficialmente de ampliar sua participação no grupo britânico de TV por assinatura BSkyB de 39% para 100%. A compra vinha sendo denunciada por ativistas nas redes sociais e por opositores preocupados com o poder monopolístico do grupo de Murdoch, que possui vários jornais e serviços de entretenimento.
O ambiente está tenso, também, para a Press Complaints Commission (PCC - leia mais neste blog), uma comissão independente de auto-regulação da imprensa. Segundo o jornal The Guardian, diante do escândalo dos grampos, o primeiro ministro britânico, David Cameron, afirmou que os dias da auto-regulação da Grã Bretanha estariam no fim. Ele acenou com a destituição da Press Complaints Comission (PCC) e o possível término do sistema de auto-regulação da imprensa na Grã Bretanha.
Modelo esgotado
Cameron, que foi apoiado por Murdoch em sua eleição, agora dirige suas acusações para a Comissão, acusando-a de ausente. “A forma como a imprensa está sendo regulada hoje não está funcionando”, disse Cameron.
Segundo o premier, a PCC, “o cão de guarda” da imprensa, deverá ser substituído com um corpo independente formado pela imprensa e por políticos. Aliás, a PCC obteve consenso no Reino Unido. Tem sido criticada por um amplo espectro político, indo de Ed Miliband -líder trabalhista, que a descreveu como um “poodle sem dentes” - ao vice primeiro ministro, Nick Clegg.
Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026
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