Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Cúpula da África vive momento de impasse em Joanesburgo

Articulação política aquém do esperado entre ONGs e movimentos sociais presentes ao Fórum dos Povos. Negociações entre governos que não avançaram na solução dos impasses e divergências da Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Falta de intercâmbio entre um evento e outro. Este triste saldo se acumula crescentemente nos primeiros dias da Rio+10, condenando o encontro de Johanesburgo ao fracasso. Insatisfeitos com este quadro, 180 representantes de ONGs de todo o mundo se reuniram nesta segunda-feira (26) no Liberty Theatre, em Sandton, sede da Rio+10, para discutir os problemas que enfrentam. A idéia dos movimentos é influir na discussão política - e também logísticas - para levar a bom termo o encontro organizado pelas Nações Unidas em Johanesburgo. (Leia Mais)

Terça, 27 de Agosto de 2002 às 08:22, por: CdB

A conclusão a que muitos chegam hoje na África do Sul - e provavelmente no mundo todo - que as dificuldades fazem parte de uma tentativa orquestrada liderada pelos Estados Unidos com o intuito de esvaziar a Rio+10 e evitar avanços na implementação da Agenda 21 e de políticas de sustentabilidade a nível mundial. Se o cenário não for revertido nas próximas horas, os movimentos sociais e as ONGs presentes na África do Sul ameaçam dar por encerrada sua participação, retirar-se das discussões e declarar unilateralmente o fracasso da Rio+10. A gota d`água foi o anúncio, feito pela organização do evento, de que o centro de convenções de Sandton, onde se realizam as discussões oficiais, tem capacidade para apenas cinco mil pessoas, em lugar dos dez mil lugares divulgados inicialmente. Segundo os movimentos, cerca de 25 mil pessoas estão em Johanesburgo e as Nações Unidas, que têm em mãos essa estimativa de participantes há pelo menos dois meses, não poderia ter anunciar a redução dos lugares disponíveis na última hora. O critério de entrada divulgado - entram em Sandton os cinco mil delegados que chegarem primeiro - revoltou os ambientalistas. Eles decidiram que todos aqueles que não conseguirem entrar no Centro de Convenções na terça-feira (27/08) irão em passeata procurar o presidente do evento, o indiano Nitim Desai, e exigir uma solução. Para Rubens Born, coordenador executivo da Vitae Civilis e liderança do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (FBOMS), a má-vontade política dos poderosos em relação ao evento já havia sido demonstrada no último encontro preparatório, realizado em Bali, Indonésia, no mês de maio: "Tudo isso é lamentável. Mas é melhor declarar o fracasso do encontro do que respaldar um plano de implementação fraco, que significará um recuo em relação ao que foi conquistado em 1992 no Rio de Janeiro". A maior prova do possível fracasso da Rio+10 é que não houve acordo na maioria dos pontos ainda abertos à negociação no Plano de Implementação da Agenda 21. O documento deveria ser o mais importante a ser elaborado durante o encontro de Johanesburgo. Dos parágrafos ainda em aberto - 156 num total de 615 do pré-texto - em apenas dez se chegou a um consenso. A maioria dos pontos onde não houve acordo apresenta propostas que responsabilizam e comprometem os países ricos centrais com metas concretas para a viabilização de um mundo sustentável e menos desigual.

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