Os chefes de Estado que participarão da Cúpula América do Sul-Arábia Saudita, que começa oficialmente nesta terça-feira, já começaram a chegar a Brasília. Logo cedo, foi a vez do presidente do Iraque, Jalal Talabani. O próximo a aterrissar em solo brasileiro é o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reuniões separadas nesta segunda-feira com o primeiro-ministro da Síria, Mohammad Naji Otri, com o primeiro-ministro do Líbano, Mohammad Najib Mikati, e com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.
A Cúpula América do Sul-Países Árabes, que começa oficialmente na terça-feira, é importante para que os países participantes se conheçam melhor, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista concedida a repórteres da francesa TV-5, da Rádio França Internacional e da revista Paris-Match, Lula afirmou que é comum que os países sul-americanos conheçam bem a Europa, os Estados Unidos e até mesmo o Japão, mas pouco os países árabes.
Funcionários dos países árabes e da América do Sul ratificaram neste domingo a parte econômica de uma cúpula que pretende ser um primeiro passo para abrir novas fronteiras comerciais, segundo porta-vozes oficiais. Nesta primeira cúpula, será assinada uma declaração formal que apresentará o interesse comercial comum.
Paralelamente à Cúpula América do Sul-Países Árabes, será realizado um evento que, segundo especialistas e empresários, deverá trazer mais resultados concretos do que a parte política: o seminário empresarial "América do Sul - Países Árabes: Construindo uma nova parceria". Especialmente para os sul-americanos, um dos desafios será tentar dobrar os donosdos petrodólares, convencendo-os a investir na região, e não apenas nos EUA e na Europa.
Até a última sexta-feira, havia 850 empresários inscritos, metade de brasileiros e o restante árabes e de outros países sul-americanos. Todos estão de olho num mercado que, somente no ano passado, somou US$ 240 bilhões em importações realizadas pela Liga Árabe. O Brasil vende apenas US$ 4 bilhões para a região.
Uma estratégia inédita posta em prática há alguns meses - e que já traz resultados - é descobrir quais os bancos que administram os capitais árabes. A idéia é procurar os banqueiros e mostrar que o Brasil é um bom lugar para se investir.
O chefe de gabinete da Subsecretaria-Geral de Cooperação e Comunidades Brasileiras no Exterior, ministro Paulo César Meira, afirmou que o evento será uma grande oportunidade de empresários das duas regiões fazerem novos negócios.