Cunha recolhe documentos de olho em delação premiada
O deputado afastado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria dito a interlocutores que sua prisão beneficiaria o presidente de facto Michel Temer, pois o interino poderia passar a mensagem de que se livrou de dois problemas: dele e de Dilma Rousseff.
Desde que foi derrotado no Conselho de Ética, que aprovou sua cassação, Cunha vem sendo paulatinamente abandonado por seus aliados
Por Redação, com GGN e Agências de Notícias - de Brasília:
O deputado afastado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teria dito a interlocutores que sua prisão beneficiaria o presidente de facto Michel Temer, pois o interino poderia passar a mensagem de que se livrou de dois problemas: dele e de Dilma Rousseff. Ainda segundo informações da imprensa na segunda-feira, Cunha teria dito ainda que sua prisão na Lava Jato deve ocorrer logo após a cassação. Nesta terça-feira, a informação é que o deputado já recolhe provas para um eventual acordo de delação premiada.
Alguns aliados de Cunha não temeram sequer anunciar o voto pela cassação nos jornais
Segundo o diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo desta terça-feira, Cunha "prepara um levantamento aprofundado sobre como ajudou seus aliados nos últimos anos. (...) Segundo relatos de deputados, o peemedebista vem coletando informações sobre financiamento de campanhas eleitorais. Também produziu uma pilha de documentos com dados sobre distribuição de cargos e empréstimos." Ele nega.
Desde que foi derrotado no Conselho de Ética, que aprovou sua cassação, Cunhavem sendo paulatinamente abandonado por seus aliados. Alguns não temeram sequer anunciar o voto pela cassação nos jornais. A maioria aconselhou Cunha a abrir mão da presidência da Câmara como um gesto para abaixar a poeira.
Agora, ainda de acordo com o diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, Cunha é orientado a abrir mão do mandato, em sinal de boa vontade à Procuradoria Geral da República, o que poderia ajudá-lo a obter o benefício da delação premiada.
Mas Cunha ainda estaria duvidando que sua tropa de choque vai deixá-lo na mão. E acredita que pode criar condições para adiar ao máximo sua cassação no plenário, com a estratégia de manter a Casa esvaziada para que o quórum para a votação não seja atingido.
Cunha entrega as chaves da residência
Cunha (PMDB-RJ), devolveu, na segunda-feira, as chaves da residência oficial da presidência da Casa. Cunha renunciou ao cargo no dia 7 de julho e tinha até o próximo dia 6 para deixar o imóvel. Ele deve ocupar um apartamento funcional cedido pela Câmara.
O recibo de entrega das chaves do imóvel, com data desta segunda-feira, foi assinado pela administradora da residência oficial.
Cunha foi afastado da presidência da Câmara e do mandato de deputado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com a renúncia à presidência da Casa, em julho, ele perdeu o direito de usar a residência oficial e regalias como avião da Força Aérea Brasileira e segurança pessoal.
Pelas regras da Casa, o deputado teria até o dia 6 de agosto para desocupar o imóvel. Cunha entrou em contato com a Diretoria-Geral da Câmara no dia 15 de julho, um dia após seu sucessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ser eleito, e solicitou o apartamento funcional.
De acordo com as normas da Câmara, benefícios como auxílio-moradia ou apartamento funcional são concedidos a parlamentares em pleno exercício do mandato.
Após ato da Mesa Diretora com a previsão de conceder um apartamento funcional a Cunha, o 1º secretário da Casa, deputado Beto Mansur (PRB-SP), negou que o ex-presidente estivesse sendo privilegiado.
- Ele [Cunha] está afastado liminarmente. Não houve determinação especifica por parte do Supremo no sentido de que maneira ele estaria afastado - justificou.
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