Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Cultura: do zabumba à fibra ótica

Sexta, 10 de Dezembro de 2010 às 09:45, por: CdB

Luiz Carlos BarretoPara fecharmos a semana, sugiro a todos vocês uma reflexão junto com o cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão, sobre os caminhos da cultura no nosso país. Para tanto, recomendo como roteiro para nossa discussão o artigo "Nem fica nem sai Juca! " publicado na Folha de S.Paulo.

Produtor, dentre outros, de alguns dos filmes de maior sucesso do cinema nacional - tais como "Lula, o filho do Brasil", "Dona Flor e seus Dois Maridos" e "O que é isso Companheiro?" - Barretão, nesse artigo, sem dúvidas, presta uma importante contribuição ao debate cultural do país.

Em seu texto ele vai direto ao ponto: "a questão em debate na sucessão do ministro é ver quem quer e tem competência para liderar e implementar uma nova política cultural, abrangendo do Brasil do zabumba ao Brasil da fibra ótica."

Política cultural é mais importante que o nome


Dessa forma, mostra que muito mais importante do que continuar esse rame-rame em torno de nome para o Ministério da Cultura (MinC) do governo Dilma Rousseff é centrar-se no debate da política cultural que o "eleito' para o posto propõe e vai implementar.

"Todo esse movimento de apoio orquestrado - destaca Barretão - não conta com a participação da classe artística e de empresários das indústrias culturais, que estariam mais interessados na discussão de um ministério para o século 21, visando inserir o Brasil no grande fluxo das indústrias criativas, do que nessa medíocre e fisiológica questão de nomes. Queremos no governo Dilma um Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas antenado com o Brasil que Lula transformou em país do presente, e não mais do futuro."

Segundo o cineasta, a expectativa é por um ministério da Cultura que "preserve e alimente fontes da cultura popular, artesanato, tradições culinárias, festas, folguedos e folias populares, e também voltado para a produção de bens artísticos e culturais de forma planejada e sistêmica que leve a indústria cultural à autossustentabilidade".

Critica aos atuais dirigentes do MinC


Para isto, Barreto ressalta a importância do vale-cultura criado pelo governo Lula, segundo ele um dos mecanismos decisivos e realmente democráticos, já que "destina parte da renúncia fiscal para as mãos da população".

O cineasta também alerta para a necessidade de autonomia da produção cultural e critica "a intenção dos atuais dirigentes do MinC de eliminar os mecanismos automáticos de financiamento à produção". Alerta, ainda, e sobretudo, para dois pontos: a renovação do artigo 1º da Lei do Audiovisual e o projeto de reforma da Lei Rouanet.

Não deixem de ler e debater este artigo.

Foto: José Cruz/ABr

 

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