Os cubanos elogiaram na terça-feira a aprovação no Senado dos EUA de um projeto que alivia ligeiramente as restrições de viagens e comércio contra a ilha, mas disseram esperar mais mudanças com o novo governo de Barack Obama na Casa Branca. O projeto destina US$ 410 bilhões para financiar as operações do governo norte-americano até 30 de setembro, incluindo medidas que permitiriam a cubano-americanos visitar a ilha com mais frequência e que facilitariam a venda de alguns produtos agrícolas e medicamentos a Cuba.
Basicamente, o projeto desfaz algumas normas do governo de George W. Bush, que endureceu o embargo comercial contra o regime comunista cubano, em vigor há 47 anos. Havana diz que o embargo é a principal razão para as dificuldades econômicas no país.
– Alegra-me que flexibilizem as normas para que os cubanos possam vir. As famílias não têm por que sofrer por razões políticas entre os governos. Os cubanos estamos há muitos anos padecendo do embargo, e Bush veio tensionar mais a corda. Já é hora que melhorem as relações entre os dois países – disse Hugo Alfonso, professor em Havana.
O projeto, que ainda precisa da sanção de Obama, permite que os cubano-americanos visitem a ilha uma vez por ano, e não mais uma vez a cada três anos. Também poderão permanecer mais de duas semanas, ao contrário do que acontece até agora.
Além disso, produtores e comerciantes de produtos agrícolas e medicamentos, a quem o governo Bush isentou do embargo, terão maior facilidade para visitar Cuba, e será flexibilizada a regra que obriga a ilha a pagar as importações em espécie e antecipadamente.
– Será algo bom, que melhoraria o comércio com os Estados Unidos. Tomara que mudem outras coisas, mas não sou muito otimista – disse Arnier Negrín, estudante de economia de 19 anos, sobre o projeto.
Obama despertou esperanças em Cuba quando prometeu, durante a campanha eleitoral, que permitiria aos cubano-americanos visitar a ilha com mais freqüência e enviar a seus parentes remessas de dinheiro superiores ao limite atual de US$ 100 por mês.
Ele diz, porém, que manterá o embargo para pressionar pela democratização de Cuba.