Cuba pôs fim hoje ao impasse diplomático com oito países da União Européia, com a promessa das autoridades européias de que vão parar de convidar dissidentes para recepções em Havana.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Perez Roque, disse que Cuba estava restabelecendo as relações oficiais com as embaixadas de França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Áustria, Grécia, Portugal e Suécia.
As embaixadas européias começaram a receber dissidentes políticos em festas diplomáticas como protesto contra a pesada repressão da dissidência em março de 2003, além de outras violações dos direitos humanos no país. Os convites deixaram o governo do presidente Fidel Castro tão irritado que ele fechou suas portas aos diplomatas europeus, expulsou os embaixadores e deixou de responder aos telefonemas.
Quando Cuba libertou 14 dos 75 dissidentes presos em 2003, o grupo de trabalho da UE na América Latina recomendou que a política de convites fosse abandonada, sendo substituída por contatos mais discretos com os dissidentes. A recomendação foi feita em 14 de dezembro.
"Como resultado da decisão da comissão Latino-Americana da UE de renunciar aos convites para celebrações oficiais de mercenários pagos e guiados pelos Estados Unidos, Cuba decidiu restabelecer relações oficiais com as embaixadas de um grupo de países da UE", disse Perez Roque a repórteres.
Cuba já havia restabelecido relações com a Hungria e com a Espanha, cujo governo socialista fez um apelo pela revisão da política de convites, de modo a encerrar o impasse com sua ex-colônia. A Bélgica se esquivou do rompimento ao não convidar dissidentes para suas recepções.
Continuam na lista negra cubana Holanda, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, que se opuseram ao fim dos convites, a menos que Cuba liberte todos os prisioneiros políticos. Os ministros das Relações Exteriores da UE devem decidir ainda este mês se vão cancelar ou apenas reduzir as festas nos feriados.
A alteração na política também deve fazer com que sejam retomadas as visitas de autoridades européias a Cuba, interrompidas em junho de 2003.
Diplomatas europeus elogiaram o anúncio cubano, considerando-o um passo positivo na direção da normalização das relações entre Cuba e a União Européia, maior parceiro comercial e maior investidor da ilha.
Para evitar a impressão de que capitulou, a UE vai continuar pressionando pela libertação de todos os prisioneiros políticos, e aumentará os contatos com dissidentes e com a sociedade civil, disseram autoridades da UE.
A medida de aproximação entre Cuba e Europa acontece num momento de elevada tensão entre a ilha de os Estados Unidos. No ano passado, a administração Bush aumentou seu embargo econômico a Havana, restringindo visitas de emigrados cubanos a suas famílias. O governo de Fidel respondeu proibindo a circulação do dólar.
Cuba nega que mantenha prisioneiros políticos e classifica todos os dissidentes de "mercenários contra-revolucionários", financiados pelos EUA para derrubar seu sistema socialista.