O Governo cubano justificou nesta sexta-feira, as recentes execuções de três seqüestradores na ilha para evitar uma "crise migratória" com os Estados Unidos que, segundo o chanceler, poderia terminar em uma "guerra" com esse país. O ministro cubano de Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, explicou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que Cuba utilizou a pena de morte de "maneira excepcional", como "último recurso", "obrigados pelas circunstâncias especiais que vive o país, e com dor". Ele afirmou que as execuções de três seqüestradores de uma lancha de passageiros se aplicaram como uma "medida dissuasória" para evitar uma onda de emigração ilegal que provocaria um "confronto" com os Estados Unidos. "Por isso tomamos esta medida drástica" para evitar que "terminasse em uma guerra", insistiu Pérez Roque, que lembrou que o Governo americano descartou, por enquanto, uma intervenção militar na ilha. "É um recurso de exceção, uma dolorosa medida tomada como último recurso e fundada na aspiração a evitar muitas mais perdas de vidas e custos para ambos os países, impedindo que comece uma crise migratória que terminaria em uma guerra entre ambos os países", disse Pérez Roque. Ele acrescentou que "se aqui começa uma série de atos de terrorismo, de seqüestros (...), se estariam criando as condições para uma crise migratória, e para uma situação extraordinariamente complexa para as relações entre Cuba e os Estados Unidos". "Para evitar que isso acabe em uma guerra vamos tentar atuar com extraordinária maturidade, ante a irresponsabilidade e a cumplicidade dos que deveriam cumprir suas obrigações", afirmou. O ministro advertiu também aos dissentes que estão em liberdade na ilha que não haverá "impunidade" para quem cometa atos de traição contra sua pátria. Um total de 75 opositores foram condenados recentemente a penas que somam juntas 1.454 anos de prisão, acusados de conspirar com os EUA, atentar contra a independência do Estado e minar os princípios revolucionários. Nesta sexta-feira, o chanceler opinou que o "notório fracasso" das tentativas dos Estados Unidos por conseguir uma condenação contra Cuba na Comissão de Direitos Humanos de Genebra constitui na prática um "clara sinal de reconhecimento da Comissão e da comunidade internacional ao direito a aplicar nossas leis". Ele assegurou que Cuba não considera que o texto aprovado na quinta-feira em Genebra, que qualificou como "ridículo", constitua uma "condenação" contra a ilha, embora insistiu em que o Governo cubano rejeita a resolução e não cooperará com a ONU porque "não tem justificativa nem base legal". "Cuba não vai aceitar uma resolução que considera espuria e ilegal", insistiu. A resolução aprovada em Genebra exorta Cuba a colaborar com o Alto Comissariado dos Direitos Humanos. O chanceler reiterou as acusações formuladas nos últimos dias contra os Estados Unidos por supostas "chantagens e pressões" contra terceiros países para conseguir uma resolução sobre Cuba em Genebra e arremeteu também contra a UE por considerar que deu mostras de "padrões de dupla moral" e de "política pequena". A União Européia (UE), insistiu, "não tem capacidade para formular uma política própria e independente para Cuba". "Cuba continua aberta às relações com a UE e espera que um dia, uma UE mais madura, possa apagar esta página vergonhosa de sua relação com Cuba", disse. Ele também se referiu aos países "irmãos" da América Latina e afirmou que Cuba se sente "ofendida" pela postura adotada em Genebra por Estados como Peru, México e Chile, e não lhes reconhece "autoridade moral" para julgar a ilha. "Cuba esperou, e ainda espera, que seus irmãos latino-americanos adotem uma posição de defesa de um pequeno país (...) sobre o qual há mais de quatro décadas de agressões e bloqueio", acrescentou. No entanto, admitiu que "é muito difícil" para os países da região ter uma posição "independente" sobre o tema de Cuba "no meio da c
Cuba justifica execuções para evitar "crise migratória"
Sexta, 18 de Abril de 2003 às 15:24, por: CdB