A Venezuela se aproximou ainda mais de Cuba no final desta quinta-feira ao abrir filiais da sua empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e de um banco público na ilha comunista.
Os presidentes Hugo Chávez e Fidel Castro, que buscam uma alternativa à criação da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), uma iniciativa norte-americana da qual Cuba está excluída, participaram das inaugurações em clima de otimismo e firmaram quase 50 acordos bilaterais.
- Estamos muito contentes. Este é um dia histórico - disse Fidel, de 78 anos, usando sua habitual farda.
- Construímos isso tijolo a tijolo, como uma casa - afirmou Chávez.
Os acordos fazem parte de um pacto de integração lançado por Chávez com o nome de Alba, Alternativa Bolivariana para as Américas.
Os líderes esquerdistas experimentaram sardinhas e chocolate em uma feira na qual empresas venezuelanas venderam 412 milhões de dólares em produtos a Cuba, com a ajuda de créditos venezuelanos a exportações. Esses bens - brinquedos, pneus, roupas, sapatos, equipamentos esportivos e materiais de construção, entre outros -- entrarão em Cuba isentos de impostos.
Em um discurso de três horas, Fidel declarou a morte da Alca, que ele qualificou como um "plano de anexação" dos EUA para saquear os recursos latino-americanos.
- O que resta da Alca são só peças, acordos bilaterais - disse Fidel sobre o plano, cada vez mais contestado nas sociedades latino-americanas, desiludidas com as promessas do capitalismo.
Nos últimos cinco anos, a Venezuela se tornou uma fonte vital de ajuda para Cuba, suprindo parcialmente o vazio deixado pela União Soviética. Caracas vende a Havana cerca de um bilhão de dólares ao ano em petróleo, e, em troca, o regime comunista envia médicos, professores e treinadores esportivos para a Venezuela.
A parceria é vista com suspeita em Washington, que aponta uma conspiração contra os interesses norte-americanos na América Latina. A Venezuela é o quinto maior exportador mundial de petróleo e tem os EUA como seu maior cliente.
A PDVSA escolheu Havana para ser sede das suas operações de refino e distribuição no Caribe. A empresa assinou um acordo com a local Cupet para construir uma fábrica de lubrificantes na ilha.
A estatal venezuelana também pretende construir um terminal para navios petroleiros e uma unidade de armazenamento com capacidade de 600 mil barris por dia em Matanzas, a leste de Havana, além de completar uma refinaria que começou a ser construída pelos soviéticos em Cienfuegos.
A PDVSA vai ainda analisar a exploração das águas territoriais cubanas do golfo do México, onde no ano passado a espanhola Repsol YPF descobriu um depósito não-comercial de petróleo de boa qualidade.
Os dois países decidiram também realizar projetos conjuntos de exploração do níquel e do cobalto, melhorar as comunicações e as ligações aéreas e marítimas.
A Venezuela aumentou seu envio de petróleo a Cuba para entre 80 mil e 90 mil barris por dia, segundo o ministro venezuelano do setor, Rafael Ramírez.
Desde 2000, a Venezuela fornece oficialmente 53 mil barris por dia em produtos brutos e refinados, mas as exportações vêm crescendo desde que Chávez consolidou o seu poder.
Otto Reich, que já foi o principal funcionário do governo Bush para a América Latina, acusou nesta quinta-feira Chávez de usar o petróleo venezuelano para sustentar Fidel.
- Temos de ser cuidadosos para que nosso lar, o Hemisfério Ocidental, não seja prejudicado por uma guerra política guiada por uma dupla de auto-intitulados revolucionários, que também lideram Estados cada vez mais fracassados - disse ele em Miami.