Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Perez Roque abandonou a sala de conferências onde se realiza a Assembléia Geral da ONU, na tarde desta terça-feira, quando o presidente norte-americano, George W. Bush, disse que o "longo domínio de um ditador cruel está chegando ao fim" em Havana. A missão de Cuba na ONU disse numa nota que deixou a assembléia durante o discurso "em sinal de profunda rejeição à declaração arrogante e medíocre do presidente Bush".
- O povo cubano está pronto para sua liberdade. E, no momento em que aquela nação entra num período de transição, a ONU tem de insistir na liberdade de expressão, liberdade de organização e, no final, nas eleições livres e competitivas - disse Bush, numa aparente referência à doença do líder Fidel Castro, que o obrigou a transferir o poder para seu irmão Raúl, há um ano.
Cuba condenou "cada letra do infame discurso", segundo a nota, que acusou Bush de ser responsável pelo assassinato de mais de 600 mil civis no Iraque, de autorizar a tortura de prisioneiros em Guantánamo e de sequestrar gente em vôos clandestinos.
- Ele é um criminoso e não tem autoridade moral nem credibilidade para julgar nenhum outro país - disse o ministro.
Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega apoiou Cuba e disse que Fidel mostrou "grande solidariedade e humanismo" apesar do "bloqueio" norte-americano, na forma de sanções econômicas contra a ilha comunista". Ele acrescentou que Bush falou de Cuba com uma "total falta de respeito".