Cuba expressou nesta quarta-feira sua "simpatia" à aspiração do Brasil de tornar-se um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. O país se mostrou disposto a comprar mais alimentos brasileiros, em um momento de forte aprofundamento na relação bilateral.
- Me proponho a informar o ministro (das Relações Exteriores Celso) Amorim da posição de Cuba de simpatia à aspiração do Brasil ao Conselho de Segurança - disse o chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, ao iniciar uma visita ao país, onde se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pérez Roque anunciou que fará uma revisão de todos os aspectos das relações entre Brasília e Havana, intensificadas desde a chegada de Lula ao poder, cuja posse teve a presença do presidente cubano Fidel Castro, em janeiro de 2005.
- O comércio bilateral cresceu, este ano superou pela primeira vez os 200 milhões de dólares, dos quais cerca de 170 milhões são exportações brasileiras a nosso país - disse o chanceler cubano a jornalistas.
Ele também indicou que o Brasil pode se converter em "um fornecedor importante de alimentos a Cuba", que cada ano compra cerca de 1,3 bilhão de dólares em alimentos de todo o mundo, e o Brasil pode "aumentar sua participação".
Além disso, assegurou que "no terreno energético existem possibilidade de que a Petrobras se envolva e participe na exploração petrolífera em nosso país".
Pérez Roque recordou que a visita que Lula fez a Havana em 2003 impulsionou o comércio, os investimentos e a cooperação tecnológica bilateral.
Ao deixar o Congresso Nacional, onde foi recebido pelo presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Pérez Roque disse que "nos parece que o Brasil é um dos países da América Latina que realmente tem condições para ser membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas".
Mas o chanceler, que se reunirá mais tarde com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu --um ex-guerrilheiro que viveu exilado na ilha caribenha--, e na quinta-feira com Lula e Amorim, indicou que seu país acredita que a reforma do conselho da ONU deve servir para incorporar mais de um membro da região.
O Conselho de Segurança é formado atualmente por cinco membros permanentes com poder de veto --Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia-- e dez rotativos sem esse direito.
Recentemente, um grupo de alto nível que realizou um estudo sobre uma possível reforma do organismo multilateral propôs incorporar seis novos países ao conselho em caráter permanente, mas sem poder de veto.
O governo Lula, que exerce conduz uma política para expandir a influência do Brasil no cenário internacional, tem intensificado seus contatos para obter apoio à busca desse privilegiado lugar para o país, uma aspiração que, no entanto, provoca resvalavas em algumas nações latino-americanas.
- Como parte da ampliação (do conselho), Cuba crê que devem ser criados novos postos para membros permanentes e não permanentes. Não um por região e sim pelo menos dois - disse Pérez Roque.