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Cuba celebra aniversário de nascimento de Banny Moré

Quinta, 25 de Agosto de 2005 às 03:28, por: CdB

Cuba lembrou, na quarta-feira, o 86º aniversário de nascimento de um de seus maiores músicos, Benny Moré, conhecido como o "bárbaro do ritmo", com uma peregrinação ao seu túmulo em Santa Isabel de las Lajas, onde ele nasceu, e um intenso programa para todos os boêmios de Havana.

Como ocorre anualmente em seu aniversário de nascimento e de morte, um grupo musical acompanhou, durante a manhã, a romaria no povoado de Santa Isabel de las Lajas, entoando canções de seu ídolo pelas ruas e ao pé de sua sepultura.

Amigos, familiares, artistas e veículos de comunicação destacaram a qualidade excepcional do músico e do homem, cantor de renome mundial, que teve uma vida desenfreada, e morreu aos 44 anos, em 1963, de cirrose hepática.

Embora vá ser celebrada uma grande festa durante o 15º Festival Internacional de Música Popular, de 12 a 17 de setembro em Cienfuegos e Lajas, a Promotora Musical Benny Moré celebrará o aniversário do músico com concertos, bailes e bebidas de vários bares de Havana, como o Alí Bar, onde ele se apresentava.

Conhecido em Cuba como "o bárbaro do ritmo", Benny Moré foi também completo no "son" (ritmo cubano), no bolero e na "guaracha" (ritmo musical afro-antilhano). De seu extenso repertório, são memoráveis <i>Como fue</i>, <i>Tú me sabes comprender</i>, <i>Bonito y sabroso</i>, <i>La culebra</i> e <i>Y hoy como ayer</i>.

Mulherengo incorrigível, Benny deve seu apelido de "bárbaro" a uma moça, a quem lançou a cantada: <i>Como você é bárbara!</i>. Ao que alguém que estava ao seu lado, replicou: "Não, bárbaro é você pelo que canta".

- Fala-se muito dele como músico, mas deve-se falar de Benny como ser humano, grande amigo, grande companheiro - disse Lázaro Valdés, que tocou com a orquestra de Benny Moré de 1958 a 1963, nos últimos anos de vida do músico.

Benny Moré era um verdadeiro gênio da música. Apesar de nunca ter freqüentado uma escola de música e de andar, sem rumo, por ruas e parques no início de sua vida artística, tinha um prodigioso ouvido, uma voz particular e um ritmo que fluía espontaneamente.

Nascido em 24 de agosto de 1919, em Santa Isabel de las Lajas, na província central de Cienfuegos, o mítico cantor andou desde o começo com uma guitarra de cor preta feita por ele próprio com um pedaço de 'yagua' - fibra de palmeira - e tiras de borracha no lugar das cordas.

Em 1940, mudou-se para Havana, por onde perambulava nas noites de boemia até que cinco anos depois viajou para o México com um grupo musical, unindo-se mais tarde ao rei do mambo Dámaso Pérez Prado, com quem alcançou a fama.

Sua vida turbulenta e de excessos inspiraram o cineasta cubano Jorge Luis Sánchez, que acabou de filmar <i>Divina Desmesura</i>.

"O filme está em fase final de pós-produção, estamos colocando a música e isto pressupõe um trabalho exaustivo. A música é uma grande personagem dentro do filme. Esperamos que esteja pronto até o final do ano", declarou Sánchez, em entrevista à AFP.

Para o cineasta, fazer um filme de Benny Moré é uma grande responsabilidade. "Trata-se de uma personalidade de primeira ordem na cultura musical deste país e a família (dele) confiou em mim", afirmou.

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