Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

Cuba acusa UE de se curvar a pressão norte-americana

Sexta, 06 de Junho de 2003 às 15:01, por: CdB

O regime comunista cubano acusou nesta sexta-feira a União Européia de ter se curvado à pressão norte-americana ao impor sanções à ilha, por causa da recente onda de repressão política. - É triste, mas não cabe dúvida que a União Européia foi incapaz de formular sua própria política com relação a Cuba - disse o chanceler Felipe Pérez Roque a jornalistas. "Ela cedeu à pressão da política agressiva dos EUA para Cuba", afirmou ele na cerimônia que lançou a candidatura de Havana aos Jogos Olímpicos de 2012. A UE adotou sanções contra Cuba na última quinta-feira, em retaliação à execução de três sequestradores de uma balsa, após julgamento sumário, e à condenação de 75 dissidentes a penas de até 28 anos de prisão. As novas medidas tomadas pela União Européia, que é o principal parceiro comercial de Cuba e o maior investidor estrangeiro no país, foi tomada dias depois de o grupo rejeitar o pedido cubano de adesão ao Acordo de Cotonou, que estabelece uma série de vantagens para ex-colônias européias no Caribe e na África. A UE disse que tomou as decisões por causa "das recentes ações deploráveis das autoridades cubanas visando não só à violação de direitos fundamentais, mas a também privar os civis de seu maior direito humano, o direito à vida". A Grécia, que ocupa a Presidência temporária da UE, disse que os 15 países do bloco decidiram por unanimidade limitar as visitas governamentais de primeiro escalão e reduzir sua participação em eventos culturais cubanos. Os europeus decidiram também convidar os dissidentes para celebrações nas datas nacionais dos 15 países e reverem totalmente suas relações com a ilha comunista. Recentemente, autoridades cubanas disseram que dissidentes foram vistos em festas nas embaixadas européias em Havana. A adesão Acordo de Cotonou representaria um aumento da ajuda européia a Cuba, que nunca se recuperou totalmente do fim dos subsídios que recebia de Moscou até o colapso da União Soviética. O presidente Fidel Castro, no poder desde a revolução de 1959, diz que a execução dos três sequestradores que tentaram desviar uma balsa para a Flórida era necessária para evitar um êxodo maciço de descontentes para os Estados Unidos, onde os cubanos automaticamente recebem direito de residência. Já os 75 dissidentes foram condenados por traição, acusados de ajudar Washington a derrubar o regime comunista, que há quatro décadas está submetido a embargo econômico por parte dos Estados Unidos.

Tags:
Edições digital e impressa