Cuba inicia o que sem dúvidas é sua última chance de mudanças: realiza o VI Congresso do Partido Comunista Cubano (PCC) prometendo reformas a começar pelo próprio partido e pelo Estado. Não será fácil. São décadas de paralizia e os desafios são enormes.
Mas, como a Ilha sobreviveu ao mais longo e cruel bloqueio de que se tem notícia na vida de uma nação, à maior sabotagem econômica e política infringidas a um povo no século XX, às inúmeras tentativas de assassinato do presidente Fidel Castro e ao mais brutal isolamento cultural e político a que uma nação e um povo foram submetidos na história, há exceçentes possibilidades de sucesso na empreitada.
Há esperanças de que uma vez iniciadas as mudanças políticas e econômicas, uma vez deflagrado, o processo por si próprio ganhe forças e avance. As mudanças econômicas vão na direção das já empeendidas nos últimos 3 anos: reforma do Estado e sua descentralização e separação do partido, principalmente das funções de governo.
Mudança é vital para partido e Revolução sobreviverem
Quando falo de partido, lógico, falo sobre a proposta apresentada pelo presidente Raul Castro quanto a limitação a 10 anos de mandatos no PCC e em cargos no governo, e na área econÔmica à permissão para os bancos concederem créditos a pessoas físicas.
Há outras mudanças de grande porte, tais como mais agricultura familiar e privada; investimentos externos; fim da propriedade estatal sobre os serviços; permissão para a compara e venda de imóveis e veículos; estímulo ao trabalho por conta própria - que já dobrou nos últimos dois anos e já são 200 mil; e ao fim paulatino da chamada libreta, a cesta básica subsidiada fortemente pelo Estado.
Em seu discurso o presidente Raul Castro foi claramente crítico aos setores do Partido Comunista que se opõem às mudanças e não deixou dúvidas sobre a necessidade de renovação. Sem esta, fica claro, não há como o partido e a Revolução sobreviverem (vejam, também, a nota abaixo Um país com chance de decidir seu futuro).