Há vinte anos o Brasil tenta obter etanol do bagaço de cana de açúcar, também conhecido por etanol celulósico. Todo o álcool que sai das usinas brasileiras, hoje, é obtido do sumo da cana de açúcar. Mas, até aqui, as estruturas do bagaço, onde se escondem outras valiosas moléculas de açúcares, em meio a fibras de celulose, eram queimadas como combustível, quando não desprezadas.
Deter a tecnologia para se obter álcool até das moléculas da celulose era uma meta de uma geração de cientistas, que sonhava dominar o uso integral da cana de açúcar de forma barata e otimizada. O sonho ousava, ainda, vislumbrar o Brasil como um país imbatível na produção de etanol, pois a mesma área plantada de cana permitiria uma produtividade expressivamente maior que os padrões até então vigentes. A tecnologia também permitiria abrir o caminho para a pesquisa da produção de etanol a partir de madeira e outras fontes, abrindo a produção agro-florestal do país a novas fronteiras.
A boa notícia de hoje é que o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma referência mundial em pesquisa de cana de açúcar, acaba de dominar o processo para a obtenção do etanol celulósico a um preço razoável, de R$ 1,20 por litro. Ainda é alto frente aos R$ 0,90 do etanol comum, mas muito inferior ao obtido no início dos trabalhos.
Aposta na captação
Em matéria ao Valor, o pesquisador Jaime Figuerut, pertencente ao CTC, informa que a produção do etanol de segunda geração deve sair da escala experimental para alcançar a produção em volumes maiores, compatíveis com a escala industrial. O centro, que opera há cinco anos uma planta experimental para o etanol celulósico, está pleiteando uma captação de R$ 250 milhões no BNDES para um pacote de pesquisas. E espera reduzir o custo da produção do etanol a partir do bagaço da cana para os mesmos R$ 0,90 por litro, obtidos a partir do sumo da cana, nos próximos 6 a 10 anos. Outra frente de pesquisa é gaseificar a queima do bagaço para obter os mesmos produtos derivados do petróleo.
O Centro também está avançado na pesquisa da otimização do etanol versus o subproduto do processo, a linhaça. A otimização permitirá obter uma parte de etanol para cada três de vinhaça. Atualmente, a relação é uma parte de etanol para entre 10 e 12 de linhaça. Ao chegar à produção esse avanço permitirá um salto importante de produtividade.
Investir em inovação e em tecnologia de ponta é nossa melhor aposta para aumentar a competitividade brasileira, gerar mais e melhores empregos e promover o crescimento sustentado de nossa economia. Vamos acompanhar os progressos das pesquisas em andamento no CTC e aproveito para parabenizar os pesquisadores.
Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026
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